Delegado pede prazo para investigar
Osmani Costa
De Londrina
O delegado do 6º Distrito Policial de Londrina, Eurico Hummig Filho (que também é diretor da Prisão Provisória), solicitou à Justiça, na última sexta-feira, novo prazo para a conclusão do inquérito que apura os responsáveis pelo linchamento do catador de papel Ademir Justino da Silva, conhecido como Doido, ocorrido no dia 11 de setembro. Doido era acusado de ter estuprado e matado a facadas, no dia 1º do mês passado, a menina Greice Carolina da Silva Melo, de cinco anos.
Ademir da Silva, 21 anos, que era ex-amásio da mãe de Greice, Marineide da Silva Melo, 26 anos, foi morto por outros presos da PPL a socos e pontapés quando saía da cela para ir ao solário. O delegado afirmou que já identificou oito presos que lideraram o linchamento do catador de papel, que dormiu apenas uma noite naquela prisão. Pedimos ainda ao promotor da 1ª Vara Criminal, Janderson Yassaka, que nos acompanhe durante o interrogatório dos presos suspeitos do linchamento, nos próximos dias, comentou Hummig ontem à tarde.
Também encontra-se em fase final de elaboração, no 2º Distrito Policial (DP) de Londrina, o inquérito que investiga a autoria do homicídio da menina Greice. O corpo da garota foi encontrado no dia 10 de setembro, em estado de decomposição em um buraco perto do assentamento Santa Fé (zona leste), onde morava com a mãe e outros dois irmãos menores. No dia anterior, Doido, que estava foragido desde a noite do sumiço de Greice, apresentou-se à delegada do 2º DP, Waldete Testoni, e negou ser o assassino.
Faltam duas peças importantes para que eu possa concluir o inquérito e enviá-lo à Justiça. Um laudo complementar do IML, e a análise de uma fita de vídeo pelo Instituto de Criminalística, afirmou ontem a delegada do 2º DP. Segundo ela, Ademir da Silva prossegue sendo o principal suspeito pelo crime. A polícia procura ainda um suposto cúmplice de Ademir, conhecido apenas como Catatau. Este poderá ser indiciado como ajudante na ocultação do cadáver da menina.
A necrópsia feita pelo IML no corpo de Greice não comprovou o estupro. As investigações da polícia não encontraram provas materiais e nem a arma utilizada no crime de que tenha sido Ademir da Silva o assassino de Greice. No inquérito há, porém, a acusação feita em depoimento pelo também catador de papel Cilso Lourenço, namorado de Marineide Melo na época da morte da filha dela. Não trabalhamos com outras suspeitas. O inquérito aponta para Ademir da Silva como autor do crime e para Catatau como cúmplice, ressaltou Waldete Testoni.
O pai de Doido, Marivaldo Justino da Silva, que mora em Santa Cecília do Pavão (110 km a leste de Londrina), esteve ontem na Redação da Folha e disse não se conformar com o linchamento do filho e com o prejulgamento feito pelas autoridades. Entreguei meu filho à Justiça para que ele fosse julgado e pagasse pelo que devia, mas não para ser morto daquela forma. A polícia não tem provas de que ele foi o autor do crime e quer encerrar o inquérito acusando-o injustamente. Isto, não vou aceitar.
Ele comentou que procura um advogado para dar entrada na Justiça com uma ação indenizatória contra o Estado, que seria o responsável pelo linchamento e morte de Ademir da Silva.





