Os depoimentos dos sem-terra ouvidos em Tamarana anteontem levaram o delegado Jurandir André a solicitar novo exame pericial à Criminalística. Segundo os sem-terra - que ocuparam a fazenda do empresário Chafic Burihan em setembro de 96 -, Django e outros dois homens dispararam tiros no acampamento deles na manhã de 26 de abril. ‘‘Nossos técnicos estarão no local, para o recolhimento de provas’’, garante o subchefe do Instituto de Criminalística, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho.
Ele explica que a microanálise laboratorial de cromotografia vai comprovar - através de resíduos do piso de madeira da casa - se o projétil encontrado pela polícia foi o que matou Django. A única testemunha de acusação presente à cena do crime, Edson Lucena, disse em depoimento não ter condições de identificar o autor do disparo. Django e Lucena foram contratados pelo arrendatário da fazenda, Pedro Ribeiro, para executar a desocupação da área.
Os sem-terra acusam Django de ser pistoleiro profissional e de ter participado de outras ações violentas em fazendas ocupadas pelo MST. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) divulgou - depois da morte de Django - laudo comprovando que a fazenda Borborema é improdutiva e, portanto, passível de desapropriação.
(Osmani Costa)

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