Delegado pede mais rigor contra menores infratores
Lucinéia Parra
De Maringá
O subdelegado de Iguatemi (distrito de Maringá), Luiz Fernando de Oliveira, quer maior rigor no tratamento aos menores infratores internados na Escola de Recuperação de Adolescentes (ERA). Oliveira critica a atuação da diretoria do ERA e acusa o diretor da unidade, o pastor Maurício Fernandes de Moraes, de ser conivente com os arrombamentos que os menores estão praticando nas proximidades da instituição.
De acordo com o subdelegado, os menores estão tendo muita liberdade e promovem fugas constantes. O problema vem se agravando há um ano, disse. O estopim, segundo Oliveira, aconteceu na sexta-feira da semana passada, quando um grupo de fugitivos arrombou o carro do professor Alessandro de Lucas Brassine, que estava na fazenda da Universidade Estadual de Maringá (UEM), localizada a cerca de 300 metros do ERA. Os menores também teriam arrombado a casa do filho dele, que mora em uma chácara também perto do ERA. Da casa do filho do subdelegado, os menores furtaram bebidas.
O mais estranho é que eu solicitei ao diretor da instituição que trouxesse os menores suspeitos para prestar depoimentos na segunda-feira. Só que, estranhamente, os menores fugiram no final de semana, criticou. Está evidente que houve conivência da direção da escola, disse. Conforme Oliveira, quando há fuga de algum menor, a direção do ERA incentiva que os demais internos saiam em busca do fugitivo. Já imaginou os próprios menores saírem na captura do fugitivo?, indagou.
O pastor Maurício Fernandes de Moraes se defende das acusações e diz que a fuga de dois meninos no final de semana ocorreu por culpa do próprio subdelegado. Ele veio aqui e ameaçou os meninos, dizendo que iria poupar apenas os pequenos mas que iria descobrir quem arrombou a casa do filho dele, explicou. Conforme Moraes, o tratamento aos menores infratores que são levados para o ERA não pode ser diferente. O próprio nome já diz: é uma escola de recuperação e eu não posso encher de grades em volta e transformar isso aqui em uma Febem, disse.
Ao chegar no ERA, conforme Moraes, os menores vão para uma cela, onde permanecem por um período de adaptação até participar das atividades da instituição. Depois de um determinado tempo, o menor participa das atividades de lazer no campo externo e não podemos fazer nada se o menor decide fugir. O nosso único poder é o de convencimento através do diálogo, já que nós lidamos com menores extremamente problemáticos, justificou.
Atualmente, o ERA mantém 10 adolescentes, e a capacidade é para 32 internos. Ontem, durante a visita da reportagem da Folha ao ERA, um dos menores que fugiu no final de semana ligou para o diretor da instituição afirmando que queria voltar. Em contato com a Folha, o menino disse que fugiu porque ficou com medo do subdelegado de Iguatemi.





