O delegado Edmo Hermenegildo recebeu ontem pela manhã do Instituto Médico legal (IML) o laudo oficial da causa mortis do pastor José Idalécio Bueno, ocorrida no dia 9 em Ibiporã, no interior de uma viatura policial. Ele teria sido espancado por policiais militares em frente ao posto da Polícia Rodoviária daquela cidade, após uma briga de trânsito na BR-369. Bueno morreu de ‘‘asfixia por aspiração de conteúdo gástrico’’ (sufocado pelo próprio vômito). No mesmo laudo consta que em seu corpo foram encontradas apenas escorições, que não poderiam causar morte. Na semana passada o delegado havia recebido do setor de toxicologia do IML o laudo constando que foram encontradas 2.28 miligramas de álcool no sangue coletado do pastor (o que corresponde a estado de embriaguez).
À tarde, o delegado ouviu duas testemunhas sobre o caso a pedido dos advogados da família Bueno. A testemunha Richardson Zechin disse em seu depoimento que passava em frente ao posto da Polícia Rodoviária e viu os policiais militares tentando colocar Bueno no interior da viatura. Zechin disse que o pastor estava algemado e, na confusão, os policiais bateram com a grade da porta do camburão em suas pernas.
A outra testemunha pediu para não ser identificada. Ela disse que foi procurada pelo sargento Levi Teófilo - acusado pela morte do pastor -, que teria proposto trocar um Fiat por uma mobilete. De acordo com a testemunha, o sargento disse que precisava fazer ‘‘uma longa viagem’’ com urgência.
Mais cinco testemunhas foram ouvidas sobre o caso. Três menores disseram ter visto o pastor sendo agredido pelos policiais.

mockup