O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Pedro de Jesus Colaço, conversou ontem à tarde com a Folha sobre a situação criada entre ele e a imprensa local. Colaço afirmou que a imprensa continuará a ter acesso somente aos boletins de ocorrência (BOs) autorizados pelas vítimas. A polêmica teve início há cerca de dez dias, quando ele determinou que parte dos boletins não fosse repassado aos jornalistas. Depois, ele determinou a retirada dos móveis e da linha telefônica usados pela imprensa e que ficavam na 10ª Subdivisão.
Colaço disse ainda que ao chegar em Londrina já encontrou uma barreira da imprensa. ‘‘Eles (repórteres) ligaram para Pato Branco para saber coisas ruins a meu respeito’’, disse. Ele se referia às denúncias de envolvimento seu com atividades ilegais e que foram negadas por ele.
O delegado criticou também o fato de a imprensa estar sempre questionando onde ele passa o fim de semana. No final de semana passado, Colaço saiu da delegacia na sexta-feira de manhã e retornou ontem à tarde. Ele afirmou que esteve a trabalho em Pato Branco. ‘‘Eles (a imprensa) não vêem os dias que saio daqui às 22 horas’’, reclamou. ‘‘Este comportamento, só a imprensa de Londrina tem’’.
Colaço afirmou que considera o problema com a imprensa resolvido e lamentou o fato de a Folha ter publicado uma charge sua. ‘‘Não podem fazer isto comigo. Não sou um ‘joão ninguém’, sou uma autoridade’’, disse. Na sua opinião a imprensa o trata com desrespeito.
Questionado sobre o alto índice de criminalidade em Londrina e o fato de a população estar com medo da violência, ele afirmou que as ocorrências registradas não indicam aumento da criminalidade. ‘‘Quando estabilizarmos a situação e começarmos as operações em conjunto com a Polícia Militar com arrastões, este índice vai cair ainda mais’’.
O delegado-chefe explicou a situação estará estabilizada quando resolver alguns problemas administrativos referentes à falta de vagas para presos em Londrina e com a imprensa.

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