O delegado Joaquim Mello, do 4º Distrito Policial de Londrina, já sabe quem matou o empresário Eduardo Kalil Issa, 62 anos, assassinado sábado à noite, na lanchonete Londrilar com três tiros. O inquérito já foi aberto e a polícia aguarda a apresentação do assassino.
A princípio, o delegado disse que daria apenas o dia de ontem para que o assassino se apresentasse ou que seu advogado fizesse contato. Se isso não acontecesse, hoje ele pediria sua prisão preventiva. No final da tarde, porém, como o acusado - até ontem à noite identificado apenas como Valdir - não se apresentou, Melo resolveu prorrogar o prazo e esperar mais o dia de hoje, na expectativa que o contato seja feito. ''Vamos aguardar'', disse.
De acordo com Mello, o motivo do crime foi uma discussão por causa da mulher que estava junto com os dois, Neusa de Abreu, 42 anos, também baleada. ''Parece que estavam os três bebendo juntos na lanchonete quando começou a discussão'', explicou.
O assassino teria saído do local e voltado, minutos depois, armado. Valdir disparou vários tiros em Issa e Neusa, que foi ferida no braço esquerdo e no abdomên. Internada no Hospital Evangélico, Neusa já está fora de perigo.
Issa era proprietário do Hotel Firenze e condenado a 16 anos de prisão pelo homicídio do operário Doraci Leal Lopes, em 1994. O empresário recorreu da sentença e aguardava novo julgamento em liberdade.
A morte do operário não foi o primeiro crime cometido por Issa. Conhecido no meio policial paulistano, ele já havia cometido outro homicídio e se envolveu com tráfico de cocaína naquela capital. Apelidado de ''Turquinho'', virou personagem de um dos livros do jornalista Percival de Souza, chamado ''Society Cocaína''. Ontem o jornalista lembrou que na década de 70 Issa teve ''uma vida turbulenta'' em São Paulo.
Já o advogado do empresário, João dos Santos Gomes Filho, definiu como ''uma vida significativa'' os anos anteriores à vinda de Issa para Londrina. ''Ele de fato envolveu-se com homicídio e tráfico em São Paulo, mas pagou por tudo o que fez. Quando veio para Londrina, no final dos anos 80, não devia nada à sociedade'', afirmou o advogado. Segundo Gomes Filho, o empresário resolveu mudar-se para Londrina depois que uma filha sua morreu em acidente de carro na capital paulista.
''Aqui ele voltou-se totalmente para a religião e para seus negócios. Tinha uma vida exemplar'', disse o advogado. De acordo com o delegado Joaquim Melo, porém, após o crime cometido em Londrina Issa chegou a ser detido portando documentos falsos. O empresário foi enterrado domingo, em São Paulo. (Colaborou Silvana Leão)

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