Delegado já ouviu mais de 40 testemunhas
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quinta-feira, 15 de julho de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Mais de 40 pessoas já foram ouvidas no inquérito que apura o assassinato do empresário Ciro Frare, 67 anos, morto a tiros dentro da concessionária Cipasa, em Londrina, no dia 24 de junho. Entre os depoimentos de funcionários, ex-funcionários e testemunhas do homicídio, está o do autor confesso do crime, o ex-diretor da revenda Ibrain José Barbino, 55 anos, que nada declarou ao delegado do 1º Distrito Policial, Marcos Belinati.
Hoje pela manhã, continuam as sessões de interrogatórios. O delegado deverá ouvir um ex-diretor da Cipasa, cujo nome foi preservado, que teria trabalhado com Barbino na direção da empresa. Para o início da próxima semana, estão agendados outros dois interrogatórios. Belinati não revelou detalhes mas adiantou que são muito importantes para as investigações.
Ontem, Belinati ouviu um funcionário da revenda, que pediu sigilo de identidade. Segundo o delegado, a testemunha declarou que viu Frare conversando com Barbino no dia anterior ao crime e que o empresário teria pedido para o funcionário orçar uma obra de ampliação do estacionamento da empresa. Momentos antes do homicídio, o funcionário disse que viu Barbino saindo da sala onde estava reunido com Frare e o contador Cidnei Aparecido Vaz. Momentos depois, teria ouvido os disparos, os gritos do dono da empresa e viu Barbino saindo correndo dizendo que o empresário teria tentado matá-lo. O funcionário disse desconhecer qualquer informação ou boatos da existência de um suposto esquema de desvio na empresa.
Nos próximos dias, Barbino e mais quatro funcionários de alto escalão poderão ter os sigilos bancário e fiscal quebrados por ordem da Justiça. Além dos pedidos de quebra de sigilo, o Tribunal de Justiça também analisa um recurso impetrado pela Promotoria da 1 Vara Criminal, pedindo a prisão preventiva de Barbino que foi negada pelo juiz da 1 Vara Criminal, João Luiz Clève Machado.
O delegado pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal devido às suspeitas de que o crime possa ter ligação com um suposto esquema de desvios que teria provocado um rombo de cerca de R$ 3,7 milhões, entre os anos de 2000 e 2004. O suposto esquema teria sido detalhado ao delegado por um ex-funcionário da empresa. Segundo o relato dessa testemunha ao delegado, Barbino ficaria com 50% de tudo que era desviado e o restante seria dividido entre outros quatro funcionários. Uma auditoria que está sendo realizada na empresa também teria constatado irregularidades contábeis e o sumiço de importantes documentos.
Um dia depois do crime, Barbino se apresentou à Justiça, foi beneficiado com um salvo-conduto e não chegou a ser preso. Depois, ele foi internado por causa de uma depressão profunda que, segundo seus defensores, teria se agravado na última semana. Um dos advogados de defesa, Romeu Amaral, reafirmou ontem que Barbino continua internado em um hospital de Londrina, onde estaria sendo submetido a um tratamento de sonoterapia, à base potentes de sedativos.


