Os policiais civis do 2º Distrito (DP) Policial de Londrina, escrivão José Antônio Alves de Camargo e o investigador Daniel Pinto de Melo, alegaram que a tentativa de extorsão de que são acusados tratava-se, na verdade, de uma artimanha para prender a denunciante Elizabeth Moraes Machado. Eles foram ouvidos ontem pela manhã e indiciados por crime de extorsão pelo delegado-adjunto da 10ª Subdivisão Policial, Acácio Azevedo, que preside o inquérito. Nenhum membro da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) acompanhou os depoimentos, apenas os advogados dos acusados.
Os dois policiais também inocentaram o terceiro policial envolvido, o investigador Robson Avancini, também indiciado por extorsão, alegando que ele não sabia sobre as diligências que estavam fazendo para prender Elizabeth. Avancini, que trabalhava no setor operacional da 10ª Subdivisão Policial (SDP), teria ido na casa de Elizabeth apenas para intimá-la a comparecer no 2º DP para depor sobre o veículo Gol que estava em seu poder.
O carro foi furtado em Guarulhos (SP). Segundo a mulher, os policiais teriam exigido R$ 4 mil para que o carro não fosse apreendido e ela não fosse indiciada em inquérito. Camargo e Daniel disseram que pediram auxílio para Avancini porque no 2º DP falta gente para trabalhar. O investigador foi ouvido anteontem e negou envolvimento no caso.
Elizabeth gravou uma conversa com Camargo e levou o caso à PIC, que pediu a abertura de inquérito ao delegado-chefe da 10ª SDP, Wanderci Corral Fernandes. Os três policiais tiveram suas prisões preventivas decretadas e estão recolhidos no Instituto de Criminalística (área central). Elizabeth foi instruída a levar o caso aos promotores pelo comandante do pelotão de choque da Polícia Militar, tenente Nelson Vila Junior. Ele e o sargento Antônio Carlos Felix prestaram depoimento anteontem.
O sargento disse que a mulher era casada com o ladrão Robson Henrique de Carvalho, o ‘Lobão’, morto a tiros pelo próprio pelotão do choque. Conforme o delegado, os policiais Vila e Felix negaram que tenham mandado Elizabeth gravar a conversa telefônica com Camargo. O escrivão, em seu depoimento, disse que viu o gravador entre as pernas de Elizabeth, mas não se importou. Camargo e Daniel também negaram as acusações de extorsão.

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