Curitiba O novo delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Jorge Azôr Pinto, tomou posse ontem de manhã em Curitiba com a difícil tarefa de buscar a unidade da polícia no Estado. Azôr assume o cargo indicado pelo secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, cinco dias após o delegado Adauto de Abreu Oliveira pedir exoneração. Oliveira afirmou que Delazari que é promotor licenciado estaria transformando a Polícia Civil em um departamento do Ministério Público (MP) do Paraná.
Azôr também terá que restabelecer os relacionamentos com o setor policial que apoiou João Ricardo Képes Noronha, eleito presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol), no último dia 3, numa disputa contra a chapa integrada por Azôr e apoiada por Delazari.
No discurso de posse, o novo delegado-geral preferiu fugir às questões políticas. ''É hora de buscar melhorias e oxigenar a polícia, que se encontra fragilizada por uma série de acontecimentos, como a CPI do Narcotráfico (que esteve em Curitiba em 2000 fazendo uma série de acusações contra a corporação)'', afirmou. Entre as melhorias, citou a readequação de servidores, modernização de equipamentos, melhores salários e estreitamento das relações entre as polícias da Capital e Interior.
O secretário de Segurança minimizou a existência de divisões internas na polícia. ''Se há divisão não é dentro da verdadeira polícia'', declarou. Delazari disse que a ''limpeza'' da Polícia Civil deve continuar: ''Vamos dar continuidade ao processo com o trabalho do Conselho da Polícia, que está expulsando os bandidos que estão na polícia''.
O novo presidente da Adepol não se sentiu atingido pelas afirmações do secretário: ''O discurso foi um sinal do seu inconformismo por ter tentado interferir na eleição de uma entidade dos policiais e ter perdido'', interpretou. Noronha disse que não pretende fazer oposição ao governo estadual e que, como Azôr, quer trabalhar pela unidade da polícia.

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