Delegado-geral pede demissão
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sexta-feira, 03 de outubro de 2003
Leandro Donatti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Adauto Abreu de Oliveira, pediu demissão ontem em meio a uma crise com o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. Abreu, que responde pelo cargo desde janeiro deste ano, mandou uma carta para o governador Roberto Requião (PMDB) solicitando a exoneração, de caráter irrevogável.
Abreu acusa Delazari de transformar a Polícia Civil do Paraná num departamento do Ministério Público. Delazari é promotor e está licenciado do cargo desde que foi convidado por Requião para assumir a pasta da Segurança. ''Não fico se é para ser fantoche. Acho que a inexperiência dele está pondo em risco a imagem da segurança no Estado'', declarou em entrevista à Folha.
Ele disse que o secretário está equivocado ao destacar, como o fez, 58 policiais militares, cinco delegados e 10 escrivães para prestarem serviço ao Ministério Público. ''Tem viatura de polícia e pelo menos 10 pistolas com promotores e procuradores'', afirmou. Abreu diz que até o Supremo Tribunal Federal (STF) entende que o Ministério Público não tem poder de polícia.
O delegado criticou ainda a decisão de Delazari de determinar que os grupos de elite da Polícia Civil Tigre e Cope façam deslocamento para o interior do Estado, em operações conjuntas coordenadas pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão vinculado ao Ministério Público. ''Isso é subordinação da Polícia Civil ao Ministério Público e eu não concordo'', enfatizou.
A gota d'água, para o pedido de demissão, segundo o delegado foi uma resolução baixada por Delazari durante a semana revogando uma deliberação sua. Abreu havia determinado a transferência de um escrivão de polícia de Curitiba para Londrina. O secretário, segundo o delegado, teria anulado sua decisão sem consultá-lo, por entendê-la descabida. ''A minha autonomia foi totalmente tolhida'', considerou. Para ele, o que vinha acontecendo é um controle externo em assuntos internos da Polícia Civil.
Abreu disse que preferiu não indicar um nome para substituí-lo porque ''o secretário de Segurança deseja uma vaca de presépio''. O delegado disse que tem duas licenças-prêmio vencidas e que vai tirá-la para, depois de 25 anos de carreira, se aposentar.
Ainda ontem foi definido que o novo delegado-geral será Jorge Azôr Pinto que trabalha na polícia há 20 anos. Ele não quis se pronunciar sobre a saída de seu antecessor. Azôr disse que vai atuar em parceria com Delazari, alinhando-se à orientação do governador Requião. Antes de aceitar o convite para assumir o cargo de delegado-geral, Azor respondia pela Delegacia de Crimes contra o Patrimônio Público.
O secretário afirmou que a decisão de Abreu foi surpreendente, mas que trata-se de um processo natural de adequação do setor de segurança pública no Estado, no qual a polícia sai fortalecida. Ele negou que estivesse ingerindo no trabalho de Abreu, que considera ter feito um bom papel à frente da Polícia Civil.
Sobre o novo delegado-geral, o secretário esclareceu que ele possui o perfil adequado para assumir a função. ''Vamos continuar implantando uma forma dinâmica de trabalhar'', completou.(Colaboraram Andréa Bordinhão, de Curitiba, e Gilmar Agassi, de Londrina)


