Delegado geral é acusado de tortura
Luciana Pombo
De Curitiba
O recém-empossado delegado geral da Polícia Civil, João Ricardo Képes Noronha, enfrenta uma preocupação adicional no momento além da reorganização da polícia. Explicar as acusações que estão sendo difundidas pela Internet de que ele executou a prisão ilegal de dois advogados seguida de tortura de um deles, em 9 de dezembro de 1994. À época, ele respondia como delegado titular da Furtos e Roubos de Curitiba. Noronha nega as acusações e diz que acha estranho o fato do caso, ocorrido em 1994, estar sendo divulgado novamente. Ele entrou ontem com uma ação indenizatória na justiça contra o advogado paulista Leovegildo Rodrigues de Souza Júnior por calúnia e difamação.
Segundo o advogado Leovegildo de Souza Júnior, um grupo de policiais invadiu a residência do advogado Luiz Fernando Comegno, na época suspenso pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) por tempo indeterminado por ter uma ficha de antecedentes criminais envolvendo suspeita de participação em alguns delitos, acusado de estar envolvido no assalto ao Banco América do Sul, no Bairro do Portão, levando cerca de US$ 350 mil, além de jóias e documentos. Na casa dele, a polícia teria apreendido telefones celulares sem nota fiscal e equipamentos que teriam sido usados no assalto.
Souza Júnior teria pedido para ver o mandado de prisão de seu cliente, que não foi apresentado pelos policiais. Eles resolveram me prender também porque eu estava exigindo a garantia de que a lei fosse cumprida, afirma. Ele e seu cliente, que não queria ter o nome divulgado na reportagem da Folha por medo de represálias, teriam sido encaminhados para a Delegacia onde seriam ouvidos. Não tinham nada contra mim e então inventaram um indiciamento por contrabando, argumenta Souza Júnior.
Comegno teria sido levado para uma sala de torturas e obrigado a confessar participação no crime. Eles me penduraram num pau-de-arara, me deram choques elétricos, esguicharam água e colocaram plásticos na minha boca. Também fui jogado em pneus. Nunca me manifestei até agora porque tinha medo, diz o advogado que foi indiciado em inquérito e absolvido pela Justiça por falta de provas. Ele contou que ficou seis meses preso enquanto aguardava julgamento e perdeu a empresa de telecomunicações que tinha em seu nome. Atualmente, ele está advogando normalmente em Curitiba. Não temo por mim, temo pelos meus dois filhos e pela minha reputação profissional. Já perdi muito por causa de toda esta história, argumenta.João Ricardo Képes Noronha está sendo acusado pela Internet de comandar prisão ilegal e tortura de advogados
Arquivo FolhaCONTRA-ATAQUEO delegado geral Ricardo Noronha negou as acusações de prisão ilegal e tortura e entrou com uma ação indenizatória contra o advogado por calúnia e difamação





