O delegado Manuel Ângelo Martins Pelisson foi afastado ontem da chefia do 3º Distrito Policial (DP), na Zona Oeste de Londrina, por decisão do Conselho da Polícia Civil, após a confirmação do desaparecimento de 45 armas da delegacia. Suspeito de ser o responsável pelo desvio, um policial civil, cuja identidade não foi divulgada pela Secretaria Estadual de Segurança Pública, também sofreu afastamento.
A Corregedoria Geral da Polícia do Estado do Paraná vai investigar o caso. O delegado Alan Flore, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), foi designado para presidir o inquérito. O delegado Pelisson será transferido para a 10Subdivisão Policial (SDP), na Área Central da cidade. O novo responsável pelo 3º DP será o delegado Valdir Fernandes, que trabalha na 10 SDP.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança informou que o afastamento de Pelisson das atividades policiais foi descartada por não existir suspeita de envolvimento do delegado. O encontro do conselho foi comandado pelo delegado-geral Jorge Azor.
As armas desaparecidas eram objetos de inquéritos criminais. Autoridades avaliaram que o sumiço estava ocorrendo há pelo menos quatro meses. O juiz da 1 Vara Criminal, João Luiz Cleve Machado, criticou o desaparecimento das armas. ''Obviamente não poderiam sumir. Se sumir uma arma no Fórum, a responsabilidade é minha e da minha escrivã'', salientou.
Segundo Cleve Machado, as armas apreendidas pela polícia são anexadas ao inquérito na delegacia, de onde saem apenas para perícia do Instituto de Criminalística. Após a conclusão do inquérito, o delegado faz um relatório, que é encaminhado para uma das Varas Criminais. Todas as armas, no entanto, têm o mesmo destino: a 1 Vara Criminal, de responsabilidade do juiz João Luiz Cleve Machado.
Os armamentos são então encaminhados para um cofre bancário e depois levados para o 30º Batalhão de Infantaria Motorizado, em Apucarana, que faz a incineração. ''Lamentavelmente, quando uma campanha está sendo realizada para tirar armas de circulação, estas acabam voltando para a rua'', criticou. A reportagem entrou em contato com o delegado Pelisson no final da tarde de ontem, mas ele não pôde atender.

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