Delegado e PM negam responsabilidade no caso
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quinta-feira, 29 de outubro de 1998
Alexandre Sanches 
O delegado de Jataizinho, Hélio Nunes Pires, negou ontem que tivesse havido irregularidades no dia 13, quando Luciana Aparecida Sanches foi queimada numa das celas da cadeia. Ele disse que a moça foi quem ateou fogo no colchão, se queimando em seguida. Ela tinha outros antecedentes de piromania, afirmou. Pires considerou estranha a denúncia da família de que presos haviam queimado Luciana.
Se não fossem os presos, a queimadura teria sido pior. Eles apagaram o fogo e a salvaram, declarou. Ele nega que um preso foi colocado na mesma cela que Luciana e outra detenta. O detento Anderson foi colocado numa cela ao lado, na mesma ala, mas separado por uma grade. Não poderíamos ter colocado na mesma cela, pois isso é irregular.
A avó de Luciana, Luzia Silva Viana, 67 anos, voltou a acusar a Polícia Militar de perseguir a sua família. Ontem, dois netos dela foram abordados na rua. Quero proteção e a transferência destes policiais, desabafou, temendo pela vida da família. Luzia também não aceita que a polícia desminta os fatos denunciados por ela, de que Luciana era perturbada constantemente por policiais, em especial o cabo PM Romildo Cazulo Júnior e o soldado Anderson de Jesus Leite. Eles é que mandaram os presos torturarem e queimarem minha neta, acusou.
A chefia da Polícia Civil no Paraná instaurou um inquérito administrativo e outro criminal para apurar as responsabilidades pela morte de Luciana Sanches. No entanto, a Delegacia Geral da Polícia Civil só soube do episódio ontem, através da imprensa, quando deveria ter sido comunicada no dia em que Luciana sofreu as queimaduras.
O delegado da Divisão Policial do Interior (DPI), Guido Carlos Ribeiro de Carvalho, designou o delegado-adjunto Agenor do Nascimento, da 11ª Subdivisão Policial de Cornélio Procópio, para acompanhar as investigações. A direção da Polícia Civil já havia determinado que fatos relevantes registrados em delegacias devem ser comunicados imediatamente.
O comandante da 3ª Companhia do 18º Batalhão da PM, capitão Fábio Luiz Rincoski, disse que a PM não tem nenhuma relação com a delegacia, somente entrega pessoas detidas em flagrante. Ele defendeu os policiais acusados, afirmando que eles não têm perfil violento e que, se houve algum espancamento de Luciana, a família deveria ter denunciado na época.


