O delegado de Jataizinho, Hélio Nunes Pires, negou ontem que tivesse havido irregularidades no dia 13, quando Luciana Aparecida Sanches foi queimada numa das celas da cadeia. Ele disse que a moça foi quem ateou fogo no colchão, se queimando em seguida. ‘‘Ela tinha outros antecedentes de piromania’’, afirmou. Pires considerou estranha a denúncia da família de que presos haviam queimado Luciana.
‘‘Se não fossem os presos, a queimadura teria sido pior. Eles apagaram o fogo e a salvaram’’, declarou. Ele nega que um preso foi colocado na mesma cela que Luciana e outra detenta. O detento Anderson foi colocado numa cela ao lado, na mesma ala, mas separado por uma grade. ‘‘Não poderíamos ter colocado na mesma cela, pois isso é irregular’’.
A avó de Luciana, Luzia Silva Viana, 67 anos, voltou a acusar a Polícia Militar de perseguir a sua família. Ontem, dois netos dela foram abordados na rua. ‘‘Quero proteção e a transferência destes policiais’’, desabafou, temendo pela vida da família. Luzia também não aceita que a polícia desminta os fatos denunciados por ela, de que Luciana era perturbada constantemente por policiais, em especial o cabo PM Romildo Cazulo Júnior e o soldado Anderson de Jesus Leite. ‘‘Eles é que mandaram os presos torturarem e queimarem minha neta’’, acusou.
A chefia da Polícia Civil no Paraná instaurou um inquérito administrativo e outro criminal para apurar as responsabilidades pela morte de Luciana Sanches. No entanto, a Delegacia Geral da Polícia Civil só soube do episódio ontem, através da imprensa, quando deveria ter sido comunicada no dia em que Luciana sofreu as queimaduras.
O delegado da Divisão Policial do Interior (DPI), Guido Carlos Ribeiro de Carvalho, designou o delegado-adjunto Agenor do Nascimento, da 11ª Subdivisão Policial de Cornélio Procópio, para acompanhar as investigações. ‘‘A direção da Polícia Civil já havia determinado que fatos relevantes registrados em delegacias devem ser comunicados imediatamente’’.
O comandante da 3ª Companhia do 18º Batalhão da PM, capitão Fábio Luiz Rincoski, disse que a PM não tem nenhuma relação com a delegacia, somente entrega pessoas detidas em flagrante. Ele defendeu os policiais acusados, afirmando que eles não têm perfil violento e que, se houve algum espancamento de Luciana, ‘‘a família deveria ter denunciado na época’’.

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