Rubens Burigo Neto
De Curitiba
Uma confusa denúncia de extorsão fez com que o delegado operacional Pedro Fernandes de Oliveira, fosse afastado ontem de suas funções na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), em Curitiba, pela Corregedoria da Polícia Civil. Fernandes foi denunciado à Corregedoria pelo vendedor autônomo José Roberto Silvério, que teria sido extorquido pelo delegado.
Silvério contou aos corregedores que, no dia 17 deste mês, foi obrigado por Fernandes a entregar um carro para Silvano José Liu, dono de uma farmácia no bairro Portão, como forma de ressarcimento pelos medicamentos que ele teria furtado do estabelecimento. A reportagem da Folha tentou, pelo telefone, falar com Silvério e Liu, mas eles não foram encontrados. O advogado Paulo Mauad, que acompanhou Silvério na DFRV naquele dia, afirmou ontem que o vendedor não é mais cliente dele.
O corregedor Otávio Francisco Dias informou que Fernandes está afastado do cargo até que a Assessoria de Assuntos Internos da Corregedoria termine as investigações. Além do processo disciplinar e administrativo, complementou Dias, vai ser instaurado um inquérito policial na Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública.
Fernandes, que completa três anos na Polícia Civil no próximo mês, se disse ‘‘magoado’’ e ‘‘desestimulado’’ com as denúncias. ‘‘A versão do Silvério é completamente fantasiosa. A própria declaração do advogado na Corregedoria diz que foi ele quem propôs o acordo com o Liu e agora ele me acusa de tê-lo extorquido’’, defendeu-se.
O delegado contou que Liu foi à DFRV – ‘‘porque a farmácia dele fica perto da delegacia’’ – para denunciar os furtos que Silvério estaria praticando. ‘‘O Liu me disse que filmou Silvério retirando medicamentos das prateleiras. Falei para ele que minha delegacia não poderia atender o caso. Apenas levei o Silvério para a DFRV conversar com o Liu e, em seguida, iríamos encaminhar a denúncia para outra delegacia.’’

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