Delegado é acusado de negar defesa a preso
O delegado Eduardo Cabral Júnior, da Delegacia Antitóxicos de Curitiba, está sendo processado judicialmente por suposto abuso de autoridade. O fato teria ocorrido no dia 14, quando José Aparecido Almeida foi preso, segundo a Polícia Civil com 33 gramas de cocaína, e autuado em flagrante por tráfico.
Segundo o advogado Peter Amaro de Sousa, Almeida não teve direito a um defensor no momento da confissão. Ele teria sido coagido e ameaçado para confessar o crime. Ele me contou que plantaram a droga na casa dele e ainda teve que confessar tudo sob coação e ameaças, declarou o advogado, que moveu um pedido de representação contra o delegado na Justiça.
Sousa disse que foi à delegacia na noite em que seu cliente foi preso, mas foi impedido de entrar. Nunca tive esse tipo de problema. Visito presos em outras delegacias de madrugada, argumentou. O pedido de providências do advogado foi acolhido pelo promotor Armando Sobreiro Neto.
No dia 16, o delegado encaminhou sua defesa e explicou que Almeida não solicitou um advogado no ato do flagrante. Ele disse que não tinha um advogado e que a família, já ciente, apresentaria um, afirmou. Após o flagrante ter sido lavrado, o preso teria lembrado que tinha um cartão de um escritório de advocacia e pediu para usar o telefone. Isto por volta das 22 horas. Os autos teriam sido encaminhados à Central de Inquéritos por volta das 22h17.
Por volta das 22h30, o delegado teria recebido um telefonema informando que o advogado estava lá para ver o preso. Eu seria irresponsável se deixasse o advogado entrar. Só tinha um plantonista para cuidar de 52 presos. Iria colocar em risco a vida do advogado e do policial, destacou ele.
As justificativas do delegado não convenceram o advogado. O juiz Joscelito Giovani Cé, da Central de Inquéritos, acolheu em partes as justificativas do delegado em relação à falta de segurança na cadeia, mas determinou o esclarecimento da denúncia de cerceamento do direito do preso de ter a assistência de um advogado. Cabral Júnior disse que pretende mover ação indenizatória contra o advogado por denunciação caluniosa e difamação.





