Delegado é acusado de abuso de autoridade
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sexta-feira, 28 de outubro de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba Uma batida entre um ônibus e um carro sem gravidade alguma, com pouquíssimos estragos materiais e nenhum ferido, acabou gerando uma confusão no Centro de Curitiba, na tarde de anteontem. O problema começou quando o motorista do carro se identificou como delegado de polícia e, segundo depoimentos dos passageiros do ônibus, puxou a arma e ameaçou o motorista do ônibus. Várias viaturas da polícia foram deslocadas para o local, os passageiros do ônibus foram obrigados a atrasar sua viagem por cinco horas e uma das principais ruas da cidade permaneceu interditada por duas horas, causando engarrafamentos.
O sócio-proprietário da empresa de ônibus, Jair Araújo Junior, acusa o delegado Wallace Mamede de Castro, condutor do Gol, de abuso de poder. De acordo com ele, o delegado, que é titular da Delegacia de Antitóxicos, mas não estava em serviço, porque está de licença médica, não apenas ameaçou com o uso de arma o motorista do ônibus, como também determinou a prisão de dois motoristas (funcionários da empresa). O delegado, por sua vez, acusa os dois motoristas por desacato à autoridade, e o dono da empresa por injúria e difamação.
Por determinação da Secretaria de Estado de Segurança Pública, a Procuradoria Geral da Polícia Civil tem 30 dias para realizar investigação preliminar para apurar os fatos. De acordo com o corregedor de Assuntos Internos da Corregedoria Geral, Luís Carlos Teixeira, o órgão ouvirá os envolvidos e testemunhas e, após análise dos fatos, dará seu parecer, propondo ou não ao Conselho da Polícia Civil, a abertura de processo disciplinar. Se for comprovado abuso de poder, o delegado pode perder o cargo. Paralelamente, o processo sobre o acidente tramitará no Juizado de Pequenas Causas. Os dois motoriastas alegam que não tiveram culpa pelo acidente.
Como foi O acidente aconteceu por volta das 14h30, pouco depois do ônibus da empresa J.Araújo, que fazia a linha Curitiba-Guarapuava, sair da Rodoferroviária. Na Rua Visconde de Guarapuava, o ônibus e o Gol branco, dirigido pelo delegado, bateram de leve. A Folha tentou contatar os dois lados envolvidos para saber a sua versão sobre o acidente, mas não obteve retorno do delegado.
Seguindo as normas da empresa de transporte, já fora do ônibus, o motorista Pedro Luis Senk teria proposto ao outro motorista que aguardassem a chegada do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTRan). Nesse momento, segundo depoimento de passageiros, ele se identificou como delegado e apontou um revólver para o peito do motorista do ônibus. O delegado teria, ainda, entrado no ônibus e ordenado aos passageiros para que saíssem.
A confusão continuou. De acordo com Araújo Junior, a empresa mandou outro ônibus ao local para pegar os passageiros. Esses, em solidariedade ao motorista, teriam se negado a sair do carro. Diante da situação, o motorista do segundo ônibus, Sandro Romeu Marques, orientou seu colega a pegar contatos entre os passageiros para que servissem de testemunhas posteriormente. ''O delegado disse que eu estava tumultuando e mandou me prender'', conta Marques, que foi algemado e colocado em um camburão, onde ainda teria levado dois socos no estômago. Ontem de manhã ele se submeteu a exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML).


