Curitiba

Kraw Penas




PolêmicaO delegado Adauto de Oliveira, da Delegacia de Antitóxicos de Curitiba (foto superior): ‘‘Liberdade de expressão tem limite’’. Para ele, a banda Planet Hemp extrapola o limite ao incentivar o cultivo de maconha. Carlos Fiorucci, do Conselho Estadual de Entorpecentes (abaixo): ‘‘Ainda há muita gente fazendo palestras com linguagem agressiva, que acaba tendo efeito contrário’’

O delegado Adauto Abreu de Oliveira, da Delegacia de Antitóxicos de Curitiba, pretende pedir à Justiça que determine a apreensão de todos os CDs da banda Planet Hemp à venda no Paraná. O argumento é que o grupo prega a desobediência civil e faz apologia do plantio e uso da maconha. A formalização do pedido depende apenas de um parecer do Ministério Público, que está analisando o assunto a pedido do delegado.
A proposta de Oliveira ressuscita a polêmica em torno do Planet Hemp (Planeta Maconha, em inglês), cujos integrantes foram presos recentemente em Brasília. Cantando letras que defendem a descriminalização da maconha, o grupo já teve mais de 30 shows cancelados, ganhando com isso mais notoriedade do que havia conseguido com seus dois CDs.
Um dos shows foi proibido pela Justiça em Curitiba, em maio, a pedido do próprio Oliveira. Episódios como esse provocaram uma discussão que opõe a apologia do uso de drogas à liberdade de expressão.
Em Curitiba, uma rádio e uma loja de discos estão promovendo uma campanha para coletar assinaturas num manifesto pela liberdade de expressão. Segundo a dona da loja, Helena Rebelo, quase 800 pessoas já assinaram.
‘‘Liberdade de expressão tem limite’’, contesta o delegado. O Planet Hemp, segundo ele, extrapola o limite ao incentivar crimes, como o cultivo de maconha e a desobediência civil, numa letra que diz: ‘‘F... as leis e as regras’’.
‘‘Ou temos coragem de criar polêmica e ir contra os liberacionistas, ou é melhor revogar a Lei de Entorpecentes’’, diz Oliveira.
Para Helena Rebelo, uma eventual ordem judicial para apreensão dos CDs terá como únicos benefícios gerar outra contravenção (a pirataria de CDs) e projetar ainda mais a banda. ‘‘Desde a prisão, a venda dos discos da banda cresceu 100%’’, diz.
Além do Planet Hemp, Oliveira está de olho em outras bandas. Ontem à tarde ele pretendia ouvir o CD do grupo Pavilhão 9, que tinha apresentação marcada para a noite em Curitiba. ‘‘Se tiver apologia da droga, vou pedir o cancelamento do show’’, adiantou. Ele também tem determinado blitze frequentes em lojas que vendem produtos com desenhos e frases alusivos a drogas.
A polêmica também mobiliza as igrejas evangélicas, que programaram para amanhã, às 18 horas, uma manifestação na Boca Maldita contra o movimento que prega a descriminalização da maconha. ‘‘Queremos reunir pelo menos mil pessoas’’, diz o pastor Lori Massolin Filho.

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