O delegado-adjunto da 10ª SDP, Jurandir Gonçalves André, disse que está havendo uma ‘‘má interpretação’’ da determinação da chefia sobre os boletins de ocorrência. Segundo ele, a divulgação dos BOs será feita normalmente, com restrições apenas àqueles que não forem autorizados. Além disso, afirmou, será feito um relatório diário com todos os roubos e outros tipos de crime que ocorrerem, com omissão de nomes e endereços das vítimas.
Segundo o delegado, o que a chefia da 10ª SDP não quer mais é a divulgação do ‘‘modus operandi’’. ‘‘Se a imprensa divulga que o bandido invadiu a casa e torturou uma criança, o bandidinho pé-de-chinelo pode achar legal e querer fazer o mesmo’’, afirmou. De acordo com ele, a maioria da imprensa londrinense é ética. ‘‘Mas temos visto casos de pessoas que acabam sendo prejudicadas porque tiveram seus endereços e telefones divulgados’’
O delegado afirmou que funcionários do plantão foram novamente orientados para a perguntar apenas se autorizam ou não a divulgação dos BOs, ‘‘sem nenhum tipo de pressão’’.
O promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais de Londrina, Paulo Tavares, não vê como a divulgação dos crimes pode afetar a intimidade e a honra das pessoas. ‘‘Eu concordaria com essa decisão apenas para os crimes de ordem privada, como estupro e atentado violento ao pudor, ou contra a honra, como calúnia.’’

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