Delegado diz que é raro conseguir um flagrante O tenente Idevaldo de Paula Cunha, que comanda a Polícia Militar (PM) na região oeste da cidade, afirma que o combate à prostituição é difícil principalmente porque quase nunca se consegue a materialidade do crime da prática de atos obscenos em locais públicos. ‘‘Sabemos que a prostituição é comum nas imediações do Shangri-lá. Nossas rondas ostensivas, normais ou atendendo a reclamações, têm comprovado o problema.’’ Mas, segundo o tenennte, a PM não tem como prender os envolvidos sem provas materiais do crime. ‘‘Quando nossas viaturas chegam, o que encontram são prostitutas conversando ou namorando com seus clientes. São todos adultos. Estão em locais públicos de livre acesso. Se não estão praticando obscenidades, não temos como prendê-los’’, comenta Cunha. Mesmo com estas dificuldades, ele ressalta que em alguns casos tem havido a prisão dos envolvidos e o encaminhamento deles ao plantão noturno da 10ª Subdivisão Policial (delegacia central). O delegado do 1º Distrito Policial (DP), Algacir Ramos, afirma que este tipo de flagrante é raríssimo em Londrina. De acordo com ele, quando isto acontece, o máximo que se faz é registrar um termo circunstanciado e soltar os acusados, sem a cobrança de multa e nem a abertura de inquérito. ‘‘O Código Penal é muito condescendente com este tipo de crime. A pena varia de três meses a um ano de detenção, mas na prática nunca ninguém ficou preso por isto’’, explica o delegado. Algacir Ramos diz que a prostituição é um problema social complicado, consequência do desemprego e da desestruturação familiar. ‘‘Infelizmente, ela está presente no Brasil inteiro. Sempre esteve. O movimento das prostitutas realmente atormenta a vizinhança. Mas só há prostitutas e travestis porque há clientes. Do ponto de vista legal, a polícia não tem muito como combatê-los.’’ (O.C.)