Marcos NegriniNa delegaciaReiguel: ‘‘Noventa por cento das brigas políticas acabam na polícia’’O delegado de Nova Tebas, Cassemiro Reiguel, está no cargo há cinco anos e, mais do que contra a criminalidade, briga contra a falta de estrutura para trabalhar. A delegacia não tem telefone nem viatura, o que obriga Reiguel a fazer investigações e diligências com seu próprio carro. ‘‘Tem época que fica apurado’’, conta. Ele cita as dificuldades que passou há dois anos, quando, em apenas 40 dias, teve que apurar nove mortes, incluindo assassinatos, suicídios e acidentes.
O último caso de destaque na polícia local começou de forma trágica e terminou de maneira pitoresca. Reiguel investigava o caso de um homem acusado de matar um casal num sítio e de ter sequestrado duas outras pessoas em propriedades rurais da região. A única pista era que o latrocida e sequestrador estava sempre acompanhado de um burro. Por isso mesmo, o caso ficou conhecido como ‘‘os crimes do homem do burro’’.
O tal ‘‘homem do burro’’ acabou preso. Era Waldemar Moreira, um morador deNova Tebas. O Ministério Público de Pitanga, no entanto, não se contentou e pediu a Reiguel que localizasse o burro. ‘‘Foram dois dias de procura que consumiram dois tanques de gasolina’’, conta o delegado. O animal havia sido trocado por um cavalo e um porco e estava num sítio. O burro foi reconhecido pelas testemunhas, fotografado e teve até a foto colocada no inquérito.
Crimes à parte, o delegado de Nova Tebas passa a maior parte do tempo apurando brigas políticas entre lideranças do município. ‘‘O pessoal exagera nos discursos e os xingamentos acabam virando inquérito policial’’, queixa-se Reiguel. Segundo ele, cerca de 90% das brigas políticas vão parar na delegacia. ‘‘Os outros 10% vão direto para a promotoria’’. Reiguel, no entanto, ainda acha tempo para se dedicar à religião. (S.S.)

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