O mecânico Lázaro Alves de Oliveira, 41 anos, ex-marido da auxiliar de enfermagem Maria de Fátima Peixoto, 27 anos, está envolvido no desaparecimento dela, ocorrido há 63 dias. A afirmação foi feita ontem pelo delegado adjunto deCornélio Procópio, Agenor do Nascimento Filho, após uma acareação e da confissão de uma das testemunhas feita na quinta-feira. Um amigo de Lázaro (um caminhoneiro cujo nome não pode ser identificado), teria sido orientado por ele a mentir no depoimento. O mecânico nada confessou e a polícia ainda não tem pistas sobre o paradeiro de Maria de Fátima.
Hoje, o delegado deverá indiciar Lázaro por sequestro e pedir a prisão preventiva dele. Lázaro está preso há oito dias, cumprindo prisão provisória. Ele orientou o caminhoneiro a dizer que no dia 24 de agosto - data do desaparecimento da auxiliar de enfermagem - estava consertando o câmbio do veículo, na casa do amigo, no período das 19 às 21 horas. Lázaro providenciou, inclusive, uma nota fiscal das peças trocadas e disse para o amigo mostrar para a polícia, caso fosse questionado.
O caminhoneiro concordou com Lázaro em sustentar a mentira, desde que não sofresse punições. ‘‘Nós advertimos que o depoimento era feito mediante compromisso de dizer a verdade e então ele (o caminhoneiro) confessou que estava mentindo’’, disse o delegado Nascimento.
Segundo ele, a nota fiscal significa uma prova consistente de que tudo fora muito bem planejado por Lázaro. ‘‘Também ouvimos vários depoimentos de que Lázaro teria se encontrado com Maria de Fátima, pelo menos 10 dias antes do desaparecimento dela, propondo para reatar o relacionamento. Enquanto ele alega que há 30 dias não a via’’, esclareceu o delegado. Lázaro e Maria de Fátima estavam separados desde abril.
Outra pista conseguida pela polícia com amigos e familiares da auxiliar de enfermagem foi a de que Lázaro telefonou para ela, dizendo que tinha comprado uma caminhonete F-1000 e que iria levar o veículo para ela ver. O telefonema teria sido feito na sexta-feira que antecedeu o desaparecimento.
‘‘Além de que em seu próprio depoimento, Lázaro não recorda de alguns detalhes simples como se na noite de 24 de agosto estaria chovendo ou não’’, acrescentou Nascimento. Ele acredita que se houve homicídio, Lázaro teria jogado o corpo num rio. ‘‘Não daria tempo dele enterrar o corpo, porque às 21h15 do dia 24, ele foi visto em um bar em Londrina, onde entrou para lavar as mãos. Um colega pediu para ele pagar uma cerveja. Ele tomou um copo e se retirou em dois minutos’’, explicou. Segundo o delegado, Lázaro saiu do trabalho às 18 horas, conforme cópia do cartão de ponto anexado ao inquérito.
Para a família da auxiliar de enfermagem, as provas do envolvimento de Lázaro no desaparecimento da ex-mulher trazem esperanças de solução para o caso. ‘‘Mas não sei se a angústia aumenta ou diminui. Queremos que isso se resolva logo, para podermos deitar com a certeza de saber onde ela está, mesmo que for ao lado de Deus’’, disse a irmã da auxiliar de enfermagem, Maria José Domingos.Carlos AlmeidaProcedimentosDelegado Agenor do Nascimento Filho deverá indiciar Lázaro por sequestro e pedir a prisão preventiva deleSuspeita contra ex-marido aumentou depois da comprovação de falso testemunho prestado por caminhoneiro amigo do acusado

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