Delegado defende ações do Estado e da sociedade
Quanto à superpopulação nas celas, a advogada Isabel Kugler aponta que em 2008 existiam mais de três mil presos condenados nas carceragens das delegacias que já deveriam ter sido encaminhados a penitenciárias. Esse contingente absorve boa parte da força de trabalho da Polícia Civil, que precisa destacar investigadores para cuidar dos detentos.
Na avaliação do delegado Luiz Carlos de Oliveira, da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, se hoje as carceragens fossem esvaziadas, o efetivo policial iria dobrar. As delegacias também passariam a atender 24 horas por dia. Hoje, segundo Oliveira, muitas unidades são obrigadas a fechar por volta das 18h30 por questões de segurança, já que muitos presos fazem parte de grupos com interesse em resgatá-los.
A percepção do delegado também vai ao encontro das opiniões da advogada da OAB e da promotora Maria Espéria Costa Moura, no que diz respeito à atual crise de segurança. Para ele, encher as cadeias de presos não resolve. A solução desse problema só seria possível através de outras ações desempenhadas por vários setores do Estado e da sociedade em conjunto, como educação e qualificação, combate às drogas, cidadania e outros temas que, se não podem evitar os crimes totalmente, podem ao menos reduzir sua incidência e dar condições de recuperação aos delinquentes. Quando o preso é tratado como entulho humano fica impossível sua ressocialização, completa. (A.A.)





