Por determinação judicial atendendo solicitação do Ministério Público, policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), efetuaram a prisão do delegado-adjunto da 18ª Subdivisão Policial de Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa), Espedito Lopes Alves. O delegado é acusado de abuso de autoridade e reiteração de conduta.
A prisão de Espedito foi decretada na tarde de terça-feira, pela juíza Luciane Martins de Paula, do Fórum de Telêmaco Borba, atendendo solicitação do Ministério Público, feita pela promotora Cyntia Maria de Almeida Pierri. Nas denúncias apresentadas pela promotoria, o delegado é acusado de crimes como corrupção passiva, incitação ao crime e falsidade ideológica, previstos nos artigos 317, 286 e 299, respectivamente, do Código Penal.
Somente baseado no artigo 317, o Ministério Público faz 17 acusações contra o delegado. Segundo a juíza Luciane Martins, através desse artigo o delegado é acusado de prevaricação, deixando de fazer o que lhe compete no uso de suas atribuições. Em entrevista à Folha, a juíza afirmou que o delegado vinha tendo uma ‘‘conduta anormal’’. Esse comportamento, acrescenta a juíza, foi reiterado por Espedito várias vezes.
O comportamento de Espedito, sempre valendo-se de seu cargo, ‘‘está desmoralizando a atuação da Polícia Civil neste município’’, relata a promotora. No pedido de prisão preventiva de Espedito, a promotora afirma que muitas pessoas, vítimas de delitos, preferem não procurar a polícia ‘‘a ter que se submeter aos desmandos do delegado’’.
Espedito também tinha fama, de acordo com os relatos da promotora, de praticar indevidamente atos do ofício para ‘‘agradar poderosos’’. Entre as acusações mais graves está a de incitar a violência, orientando e instigando pessoas ‘‘a fazer Justiça com as próprias mãos’’.
Um dos motivos que levaram a juíza a decretar a prisão preventiva do delegado foi o clima de insegurança entre a população de Telêmaco Borba, criado pela conduta de Espedito. De acordo com a promotora, a prisão do delegado foi necessária para garantir a ordem pública, a segurança e a tranquilidade das pessoas que o denunciaram.
‘‘Como ninguém estava mais acreditando na Justiça, com medo de ir à delegacia, a prisão de Espedito se deu por questão de ordem pública’’, disse a juíza. Luciane Martins ressaltou que a prisão do delegado não foi aleatória e nem ilegal, ‘‘uma vez que foi embasada e fundamentada pela lei’’.
A juíza explicou que por várias vezes, assim como o Ministério Público, tentou conversar com Espedito, mas ele sempre se recusava. ‘‘Ele não era dado ao diálogo’’, disse. Espedito, que vinha atuando em Telêmaco Borba há pelo menos dois anos, está preso em Curitiba.

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