A falta de recursos para o custeio do campus de Cascavel da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) começa a apresentar os primeiros indícios de que a universidade ''fechará as portas''. A partir de hoje, todas as atividades práticas do curso de Odontologia, que envolvem atendimento gratuito à população carente, serão paralisadas pela falta de material de consumo e de funcionários.
O coordenador do curso de Odontologia, Rolando Pezzini, explica que os últimos materiais existentes nas clínicas foram utilizados na semana passada. Cerca de 2,5 mil procedimentos podem ser interrompidos, enquanto o governo do Estado não liberar verbas para o custeio do curso. ''Não estamos deixando de atender porque queremos. Simplesmente não temos condições de atender as pessoas, que serão os maiores prejudicados'', ressalta.
Segundo Pezzini, na época da implantação do curso, em 1995, a Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti) se comprometeu a repassar R$ 1,3 milhão para investimentos que seriam utilizados para compra de equipamentos. Desse montante, apenas R$ 360 mil chegou ao curso, valor considerado insuficiente para manutenção das atividades. ''Está sendo um descaso muito grande o que vem acontecendo com nossa universidade. Dessa maneira não há como sobreviver'', reclama.
O coordenador de Odontologia explica que para a manutenção do curso seriam necessários cerca de R$ 70 mil por ano, valor que ele não considera alto devido a prestação de serviços viabilizada através destes recursos. Pezzini diz estar preocupado com o processo de reconhecimento do curso previsto para ser iniciado no final do ano. ''Meus alunos correm o risco de não conseguirem se formar caso os problemas não forem solucionados'', alega.
O diretor do campus de Cascavel, Paulo Sérgio Wolff, diz que o problema não deve se limitar apenas ao curso de Odontologia, mas à toda universidade. Segundo ele, a situação está ''tão caótica'' que a universidade começa ter dificuldades para manter crédito junto a fornecedores. ''A dívida do campus de Cascavel chega a R$ 250 mil. Não podemos fazer mais, pois a situação ficará insustentável.''
Em entrevista à Folha, na última semana, a diretora-geral da Seti, Mirian de Fátima Zaninelli Wellner, culpou a própria Unioeste pela situação difícil que atravessa a instituição. Ela explicou que o Conselho Universitário decidiu em assembléia receber os recursos de custeio e folha de pagamento de forma parcelada, o que inviabiliza o adiantamento dos valores.

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