Lúcio Horta
De Londrina
O delegado Antonio Zuba de Oliva, de Jataizinho (21 km a leste de Londrina), será mesmo o novo diretor da Prisão Provisória de Londrina. A informação, antecipada na edição de ontem da Folha, foi confirmada pelo delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes, e pelo próprio Zuba. Ele substituirá o investigador Carlos Nadalim, que desde o começo do mês estava, ‘‘provisoriamente’’, no cargo, segundo o delegado-chefe.
Fernandes admitiu que a morte do preso Ademir Justino da Silva, o ‘‘Doido’’, ocorrido no último sábado na Prisão Provisória, foi o principal motivo da substituição. Acusado de matar e estuprar a garota Greice de Melo, de apenas 5 anos, Doido foi colocado numa cela com outros oito presos da Prisão Provisória e acabou espancado até morrer na manhã do dia seguinte, por outros detentos. Os presos têm uma espécie de ‘‘código de honra’’ dentro de delegacias e penitenciárias e não admitem crimes de natureza sexual.
O delegado-chefe acrescentou que Nadalim, antes mesmo da morte de Doido, já havia informado que não queria mais ficar no cargo. Assim que sair a nomeação de Zuba, que deve ocorrer até sexta-feira, o investigador deverá ser transferido para a 10ª SDP.
Wanderci Fernandes definiu Zuba de Oliva como um profissional ‘‘organizado’’ e ‘‘com capacidade’’. Mas não quis assumir a indicação do delegado para o cargo de diretor da Prisão Provisória. Em feveiro, quando era titular do 2º Distrito Policial de Londrina, Zuba foi acusado de participar de um caso de tentativa de extorsão. ‘‘Me consultaram (sobre a indicação de Zuba) e eu disse que não havia problemas’’, disse inicialmente, se negando informar quem teria feito a consulta.
Em seguida, lembrou da declaração do secretário de Segurança do Estado, Cândido Martins de Oliveira, ontem na Folha, de que a indicação seria do próprio delegado-chefe. Novamente questionado se, então, seria ele o responsável pela indicação, Wanderci não respondeu. Anteontem, o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Newton Rocha, afirmou que a indicação seria mesmo do delegado-chefe.
Para o juiz corregedor e da Vara de Execuções Penais de Londrina, Roberto do Vale, a indicação de Antonio Zuba não poderia ter sido melhor. ‘‘Dos delegados que eu tenho mais contato, ele é o mais indicado’’, apontou o juiz, que vinha criticando a má administração na unidade.
‘‘Ele (Zuba) é organizado e tem idéias excelentes sobre a segurança’’, acrescentou o juiz. Vale também não vê preocupação no fato do delegado ter sido acusado de envolvimento numa tentativa de extorsão. ‘‘(A participação dele na extorsão) não foi confirmada. E, que eu saiba, fora isso nunca houve outro problema.’’

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