Para conter a fuga de presos da Delegacia de Fazenda Rio Grande (Região Metropolitana de Curitiba), o delegado José Carlos de Oliveira decidiu trancá-los em um contêiner. O compartimento está abrigando, desde fevereiro, seis presos, considerados por ele de ‘‘alta periculosidade’’. Fabricado em chapas de aço de cinco milímetros, o contêiner possui 12 metros quadrados. Ele possuiu pequenas aberturas na parte superior, por onde entra o ar.
O contêiner, que custou R$ 3,8 mil à prefeitura do município, possui banheiro e chuveiro elétrico. No entanto, os presos que vivem lá dentro reclamam da falta espaço, pouca ventilação e superaquecimento.
‘‘Isso aqui é horrível. É muito mais quente que uma cela comum. Tenho até falta de ar. Os músculos da gente ficam travados porque não dá para transitar aqui dentro’’, reclamou o detento José Rodrigues, de 19 anos. Ele, que vive no contêiner há um mês e meio, já foi julgado por assalto à mão armada e aguarda uma vaga no sistema penitenciário. ‘‘Quero ir para a Colônia Penal. Lá poderei trabalhar ao ar livre’’, reivindicou.
Para o presidente da seção Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), José Hipólito Xavier da Silva, a instalação de presos dentro de um contêiner fere os direitos humanos. ‘‘Não estive lá. Mas uma ‘gaiola’ não é o local ideal para se colocar seres humanos. Por mais perigosos que eles possam ser, não devem ser tratados como animais’’, disse.
A Lei de Execucções Penais determina que cada preso ocupe uma área de, no mínimo, seis metros quadrados. No contêiner, cada detento ocupa uma área de dois metros quadrados. ‘‘Chegamos a abrigar 16 presos no compartimento’’, afirmou o delegado. Conforme ele, desde que o equipamento foi instalado não houve registros de fuga na delegacia. Oliveira disse que o delegado Eloy França, representante da Secretaria de Segurança Pública, vistoriou o local e, juntamente com a juíza Paula Figueira, autorizou a remoção dos presos para o contêiner.
‘‘A própria secretaria pretende instalar contêineres nas penitenciárias do Estado, por ser um sistema barato. Cada um destes compartimentos abrigará em média 100 presos’’, afirmou o delegado. A reportagem da Folha telefonou duas vezes ontem para a assessoria de imprensa da secretaria para confirmar a informação. Deixou recados na caixa postal, mas não obteve retorno.

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