Delegado de Bocaiúva do Sul usa viatura para ir para casa
Maigue Gueths
De Curitiba
A falta de estrutura da Delegacia de Bocaiúva do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, também está obrigando funcionários administrativos a atuarem como policiais. Trabalham na delegacia o auxiliar de serviços gerais Haroldo Lopes da Silva, que atua como policial mas não pode sair para prender, o motorista Herculano Cordeiro Júnior ambos do quadro do Estado e cedidos para a Polícia Civil dois empregados da prefeitura, a escrivã Luciana Wood Dias e o suplente de delegado Rubens José da Silva, e o delegado titular Edgard Gomes.
O delegado explica que vai e volta diariamente da delegacia à sua casa, no bairro Santa Quitéria, em Curitiba, usando a viatura oficial. Esta atitude, segundo ele, é necessária para agilizar o trabalho, já que ele é o único da unidade capacitado para atender chamadas e ocorrências. Se eu deixar o carro na delegacia ele vai ficar parado porque ninguém pode sair em diligência com ele. Tendo o carro comigo, eu posso sair correndo a qualquer hora para atender os chamados.
Gomes garante que não utiliza o veículo em questões particulares. É uma viatura identificada e eu só uso no trabalho. Para uso particular eu tenho meu Gol, explica. Segundo ele, a delegacia tem também um outro carro Gol, o qual só é utilizado em serviços burocráticos ou para acompanhá-lo nos trabalhos de investigação.
Segundo o delegado da Divisão Metropolitana da Polícia Civil, Paulo de Castro, o correto seria haver mais um funcionário na delegacia capacitado para fazer o trabalho externo. Hoje o serviço de plantão restringe-se à anotação de queixas. As ocorrências são normalmente atendidas pela Polícia Militar e quando o problema é grave o delegado Edgard Gomes é acionado para atender. Castro diz, ainda, que está em andamento um concurso público que pretende contratar 700 pessoas para a Polícia Civil. Mas delegacia no interior normalmente é assim mesmo, é um delegado só para atender tudo, diz.
De acordo com Edgard Gomes, trabalhar nessas condições não é fácil. Neste carnaval fui chamado para trabalhar no sábado, domingo e segunda. Sou eu quem atendo a ocorrência, vou ao local do crime, faço tudo com a melhor das boas intenções, já que não temos nem um investigador, afirma.





