Delegado da PF diz ter ouvido Beatriz confessar
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segunda-feira, 06 de abril de 1998
Cristine Pieske 
Marcelo AlmeidaSem torturaSchueiri: Beatriz apresentava apenas sinais de abalo emocional, como se tivesse chorado muitoO delegado-chefe da Polícia Federal em Paranaguá, José Augusto de Melo Schueiri, primeira testemunha da acusação a depor ontem no Fórum de São José dos Pinhais, afirmou ter ouvido Beatriz Abagge confessar sua participação na morte do menino Evandro Ramos Caetano. O delegado disse que ouviu a confissão quando chegou à Companhia da Polícia Militar em Matinhos, para onde Celina e Beatriz foram levadas depois de terem sido presas em sua casa, em Guaratuba.
Schueiri afirmou à juíza Marcelise Weber Lorite que, assim que entrou na sede da Companhia, viu Beatriz cercada de policiais militares contando como o menino havia sido morto. Segundo o delegado, Beatriz dizia que o menino estava amarrado e que gritava muito. Ela teria dito que Evandro foi cortado nos braços, na garganta e que teve um de seus olhos retirado quando ainda estava vivo. A declaração incomodou a platéia.
Em seu depoimento, Schueri afirmou que no momento em que viu Beatriz não percebeu qualquer lesão nela que pudesse denotar tortura. Ela apresentava apenas sinais de abalo emocional, como se tivesse chorado muito, disse. O delegado também teve um breve contato com Celina, que segundo ele estava deitada em um dos quartos da Companhia, na presença de policiais, e que teria sido medicada com calmantes. Ele disse ainda que não notou se mãe e filha apresentavam cheiro ou aparência de terem urinado ou evacuado nas roupas, como a defesa alega para tentar provar que as rés sofreram torturas.
O promotor Celso Ribas exibiu ainda vídeos feitos pela própria PM durante o transporte das rés no ferry boat entre Guaratuba e Matinhos. Na fita, aparecem vários policiais da P2, serviço reservado da Polícia Militar que participou da prisão de Celina e Beatriz, e vários agentes da Polícia Federal. Em um dos trechos, ouve-se a voz do agente Antônio Carlos Teixeira Coelho, da PF, fazendo perguntas a Beatriz, que permanece de olhos fechados e tem dificuldade em responder.
Ontem pela manhã, o pescador Jorge Juliano Peres também foi ouvido pela juíza. Ele diz ter visto, alguns dias após a morte do menino, um pacote plástico contendo mão, vísceras e um pedaço de couro cabeludo boiando em um rio qua passa atrás da serraria da família Abagge, em Guaratuba. Ele havia sido arrolado como testemunha do juízo, mas acabou desqualificado porque chegou ao Fórum na companhia de Diógenes Caetano Filho, primo de Evandro e autor da denúncia. Por lei, as testemunhas não podem ter com as vítimas ou com os acusados nenhuma ligação ou amizade que comprometa a declaração da verdade. Peres foi ouvido apenas como informante.


