Delegado da PF diz que tráfico está crescendo em todo o mundo
O crescente número de pontos de tráfico e de pessoas dependentes dos entorpecentes e psicotrópicos é global e não uma coisa regionalizada. A afirmação é do delegado-chefe da Polícia Federal (PF) em Londrina, José Roberto Morel. Hoje, a Polícia Federal é responsável pela repressão ao tráfico pesado, enquanto que as prisões dos pequenos traficantes ficam com as polícias Civil e Militar.
Um convênio firmado entre o Ministério da Justiça e as secretarias de Estado da Segurança Pública proporcionou esta mudança. A nossa área de atuação é de 107 municípios do Norte do Estado e não temos condições, nem efetivo, de manter a repressão a todo tipo de tráfico, comentou.
Para Morel, as polícias Civil e Militar podem realizar este trabalho mais tranquilamente, pois mantém efetivo em todos os municípios. Por determinações superiores, a Polícia Federal não pode comentar sobre tráfico e nem quantidade de drogas apreendidas nos últimos meses.
Porém, Morel atribui o crescente número de dependentes de drogas à falta da família tradicional. Com a vida agitada e moderna, muitos pais não ligam para os filhos como deveriam. Hoje, se há falhas na educação, culpam o sistema, os professores ou a polícia. Mas os pais não vivem mais a vida familiar, não conversam com os filhos, ressaltou. Ele aponta a necessidade dos pais cobrarem mais dos deveres e obrigações dos filhos e se interarem um pouco mais da vida deles e seus hábitos como alternativa para evitar o vício.
Defensor da família tradicional, acredita que há necessidade dos pais manterem um controle maior sobre os filhos, principalmente na cobrança dos deveres e obrigações. A família ideal, segundo Morel, é aquela onde os pais questionam os erros e premiam o filho quando ele se dá bem na escola, nos afazeres domésticos. Mas a confusão ainda está entre a liberdade e a libertinagem. E quando há casos de vício em casa, a família ainda é responsável por 90% da recuperação do indivíduo, só que não conhece o seu potencial.
Por conta da dependência química, Morel garante que cresceu também o número de pequenos delitos. E ressalta que não é somente nas famílias pobres que isso acontece. Nas classes média e alta o índice de furtos também é grande, afirma.
Quando os pais percebem o vício e reprimem não dando mais dinheiro, os jovens e adolescentes passam a roubar rádio de carros e outros objetos para manter o vício. Falta aí uma posição mais dura da família, comenta.





