O delegado-chefe da 16Subdivisão Policial de Campo Mourão, Roberval Butaccini, afirmou que o aumento da criminalidade na cidade é culpa do Ministério Público. ''A Polícia Civil está com as mãos e os pés amarrados devido a uma perseguição implacável que sofre do Ministério Público'', disse o delegado na sessão especial da Câmara Municipal que discutiu anteontem à noite a segurança em Campo Mourão.

Butaccini informou que cinco policiais já foram transferidos da cidade por causa das denúncias do MP e dois delegados - inclusive ele - estão denunciados. Ele levou à Câmara cópia de um processo em que o promotor pediu os antecedentes criminais de dois policiais que prenderam um homem que confessou o roubo de um carro. ''Os promotores tratam a delegacia como se fosse um covil de ladrões'', queixou-se o delegado-chefe.

Segundo ele, ''denúncias absurdas'' contra a polícia estão fazendo com que os policiais trabalhem com medo. ''Agentes experientes foram embora da comarca por pressão do Ministério Público'', ressaltou Butaccini. Ele reclamou que ficou com policiais inexperientes, ainda em estágio probatório, que temem não ser efetivados no cargo se tiverem denúncias dos promotores. O delegado afirmou que isso gera impunidade e aumenta a violência.

Segundo Butaccini o número mensal de furtos a residência dobrou nos últimos meses. Ele se queixou que já foi denunciado até por tortura, mesmo sem estar na delegacia. ''Na primeira oportunidade, vou embora.''

Três promotoras deram entrevista coletiva ontem à tarde para responder as acusações de Butaccini. ''Toda a atuação do Ministério Público está pautada na lei'', disse a promotora Rosana Araújo de Sá Ribeiro Pereira. Segundo ela, os maus policiais devem ser denunciados. O MP vai pedir à Câmara a fita com a gravação da sessão e analisar se as declarações do delegado podem motivar uma ação.

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