Delegado critica as seguradoras
Para o delegado-operacional Manoel Pelisson, as seguradoras têm grande parcela de culpa pelos furtos e roubos de carros mais novos. Ao não ''matarem'' os veículos acidentados sem condições de uso e revenderem as carcaças em leilões, abrem uma brecha para ação de quadrilhas especializadas.
Pelisson explicou que as seguradoras não poderiam revender as carcaças nos casos em que os donos dos carros sinistrados são reembolsados integralmente porque isso estaria facilitando a atuação dos criminosos. Conforme o delegado, as quadrilhas aproveitam a ocasião, compram os carros acidentados visando exclusivamente aproveitar os documentos e a numeração do chassis. Posteriormente, estes dados são usados para ''esquentar'' modelos idênticos que foram furtados ou roubados.
Com uma equipe formada por ele e mais dois investigadores, Pelisson desarticulou este ano três quadrilhas especializadas em furtar ou roubar, principalmente modelos de luxo. Apenas com o ''estouro'' de um desmanche, em junho, na Zona Sul, foram localizados 42 veículos. A maior parte tinha sido realmente tomada de seus donos mas em algumas situações a polícia descobriu que a comunicação do crime tinha sido uma tentativa de burlar a seguradora para receber o seguro, o chamado ''golpe do seguro''.
O delegado também citou que quadrilhas de traficantes estariam se valendo do ''mercado paraguaio'' de carros de luxos brasileiros para adquirir drogas. Os carros roubados são levados até o Paraguai, onde são trocados por maconha ou cocaína.
O diretor-executivo do Sindicato das Seguradoras do Paraná e Mato Grosso do Sul, Ramiro Fernandez Dias, contestou o delegado apontando que apenas 22% da frota paranaense são segurados. Embora admita que ''possa escapar alguma coisa'', ele argumentou que uma nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) proíbe a revenda de veículos classificados como sucata. ''O que acontecia no passado é que alguns veículos caracterizados como sucata eram revendidos como salvados'', explicou. Atualmente, os veículos acidentados passam por avaliação policial que define a extensão dos danos. ''Os de grande monta, a seguradora corta o chassi e vende só a sucata. Os de média, são reparados e podem voltar a circular. Os que dão perda total, não são revendidos''. (L.A.)





