Delegado contesta investigação do MP
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O Ministério Público (MP) de Cascavel ouviu ontem o delegado operacional Manoel Angelo Pelisson, da 15ª Subdivisão Policial (SDP), acusado em carta anônima recebida por dois promotores criminais de envolvimento na venda de uma carreta que havia sido roubada em São Paulo no final de março. Segundo a acusação, o caminhão teria sido vendido por R$ 20 mil para desmanche. Pelisson nega envolvimento e diz ter provas de sua inocência.
O caso é complexo e alguns detalhes da denúncia anônima estão sendo preservados. Sabe-se que o caminhão, um Scania, permaneceu estacionado ao lado da 15ª SDP durante três dias, no início do mês, e depois desapareceu. Logo a seguir, foram apreendidos dois caminhões com as mesmas características externas, placas e chassi, um em uma empresa que comercializa peças na cidade e outro em um barracão em Terra Roxa (132 km a oeste de Cascavel).
A primeira apreensão foi feita por policiais civis e militares com acompanhamento de promotores. Em Terra Roxa, a apreensão foi feita pela Polícia Militar. Uma fonte da PM disse ontem à Folha que, com certeza, uma das carretas é produto de roubo, ou então, as duas porque é possível que ambas sejam doublê de um terceiro caminhão do mesmo tipo. O MP solicitou perícia nas duas carretas.
Sabe-se que, além do delegado Manoel Pelisson, é citado na denúncia anônima a participação de outro policial. Uma testemunha teria visto duas pessoas uma delas não identificada , que se apresentaram como policiais, comparecerem em uma borracharia em Cascavel para pegar a carreta, que teria sido apenas abandonada no local pelo motorista. Ela foi levada para a 15ª SDP sem ser submetida à perícia e depois não foi mais vista.
O delegado Pelisson disse ontem que houve apenas a recuperação do caminhão. Ele afirma ter comunicado ao advogado do proprietário, que seria de Pato Branco. No entanto, esta carreta e a apreendida em Terra Roxa permanecem no 6º BPM de Cascavel até que o caso seja esclarecido. Pelisson passou a última semana em Londrina em compromisso particular e ontem foi ao Fórum acompanhado do delegado-chefe da 15ª SDP, Haroldo Davison.
Viajei com meu nome limpo e voltei com ele sujo. Estou sendo julgado e condenado publicamente sem ter culpa, disse Pelisson antes de falar com os promotores. Ele assegura que não consta dos registros policiais no País o roubo de uma carreta com as características da abandonada e recuperada em Cascavel. Além disso, informou ter colocado à apreciação de seus superiores a possibilidade de seu afastamento da função até que tudo se esclareça.
Haroldo Davison não considera necessário o afastamento. Até agora não vi nada de concreto sobre seu envolvimento, admitiu. O chefe da Divisão de Policiamento do Interior, Luiz Artigas estaria exigindo absoluto rigor na apuração dos fatos e para isso pode ser designado um delegado especial. Ainda não há acusação formalizada contra os donos dos locais onde as duas carretas foram encontradas. A Folha tentou ouvir os promotores Carlos Choinski e Cláudia Biazus, mas eles mandaram dizer que estavam ocupados.





