Delegado contesta informação do Sicride sobre caso Letícia
Vânia Moreira
De Umuarama
O delegado de Guaíra (115 quilômetros a sudoeste de Umuarama), Marcolino da Costa, contesta informação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) de que um dos suspeitos do desaparecimento da menina Letícia Moraes de Oliveira não foi interrogado na época. Segundo Costa, o primo de Letícia, Luiz Fabrício Fonseca Cavalcanti, 19 anos, foi ouvido no dia seguinte ao desaparecimento, mas o delegado não conseguiu nenhum indício contra ele. Letícia desapareceu dia 9 de agosto de 1995, com três anos de idade, no sítio da família em Oroitê, distrito de Iporã (53 quilômetros a sudoeste de Umuarama). Morador em Alagoas, Cavalcanti visitava os familiares em Iporã.
Delegado de Iporã na época, Costa disse que todas as pessoas ligadas à menina foram ouvidas e todas as hipóteses exaustivamente investigadas. Não conseguimos nada que pudesse elucidar o desaparecimento, lamenta. Na reconstituição com base nas informações do pai de Letícia, Odair de Oliveira, a menina teria ficado apenas 2 minutos sozinha numa pastagem enquanto o pai buscava um cavalo. O local era um descampado e o matagal mais próximo ficava a 400 metros de distância. Não dava tempo de alguém pegar a menina e se esconder, a menos que o pai não tenha falado a verdade, constata Costa.
Os parentes confirmaram que o primo de Letícia estava cortando cana junto com outras pessoas a 800 metros de distância do local e não saiu dali. Outro detalhe que intriga Costa é que não era uma prática habitual de Odair levar a filha consigo. Letícia teria pedido ao pai para ir junto buscar o cavalo no pasto. Pai e filha foram montados em outro cavalo. Segundo Odair, o animal teria saído em disparada e para alcançá-lo, deixou a criança esperando no pasto. Ninguém podia prever que Letícia ficaria alguns minutos sozinha naquele lugar, naquele horário, disse Costa. Na época, o pai de Letícia chegou a ser sequestrado e torturado por homens que disseram ser policiais e queriam que ele contasse a verdade. Costa negou que a polícia estivesse envolvida no fato.
Os pais de Letícia se mudaram para Iporã e têm mais dois filhos. Mesmo transferido para Guaíra há mais de dois anos, Marcolino Costa não abandonou o caso Letícia. Ele esteve em várias cidades e até outros Estados para investigar pistas do paradeiro dela. Durante os Jogos Mundiais da Natureza, em 98, ajudou a fazer e distribuir cerca de 300 cartazes para participantes de outros países. Eu ainda tenho esperança de conseguir elucidar esse desaparecimento, diz o delegado.





