Delegado confirma versão de policiais
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de janeiro de 2008
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Civil (PC) iniciou ontem um inquérito para apurar as causas das mortes de cinco jovens no final da noite de sábado, em São José dos Pinhais. Até agora foram ouvidos familiares e testemunhas de um suposto confronto entre os adolescentes e policiais militares. Para o delegado Noel Francisco da Silva, que responde pelo inquérito, os cinco mortos fariam parte de uma gangue de 15 adolescentes que atuaria no tráfico de drogas na região. Eles estariam planejando invadir a cadeia local para matar um adolescente membro de uma gangue rival. ''O adolescente já foi removido para Curitiba. Mas eles não sabiam e mandaram duas mulheres, uma delas adolescente, visitar a cadeia para verificar as facilidades de entrar lá'', disse o delegado.
As duas mulheres tinham saído da delegacia e estariam indo até o barracão onde o grupo estaria escondido. Antes de chegarem lá foram abordadas por uma viatura da Polícia Militar (PM) que procurava um dos integrantes da suposta gangue por receptação de um DVD. ''A PM foi até lá porque o ladrão contou que teria vendido o DVD para um integrante da gangue, que viveria em grupo, no barracão, e estaria fortemente armado. A viatura pediu reforço e foi para o local'', disse o delegado
Quando os policiais militares chegaram ao barracão, várias viaturas estavam no local. Inclusive policiais da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) e da Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) que teriam ouvido o alerta no rádio e teriam ido até o local para dar cobertura. ''As mulheres foram apreendidas com drogas e contaram que estiveram aqui na delegacia a pedido do grupo e que planejavam arrebatar um preso da cadeia'', disse o delegado. Ao perceberem a polícia, os rapazes teriam corrido para o matagal, sendo perseguidos pelos policiais militares. ''Os rapazes deram vários tiros nos policiais, que responderam'', afirmou o delegado.
Nenhum adolescente sobreviveu para contar outra versão. Mas o delegado afirma que várias testemunhas viram a operação e confirmaram a versão oficial. ''É o regular direito dos policiais militares. Se alguém é recebido a tiros, atira para matar'', disse o delegado.
Foram apreendidos no barracão um rádio-comunicador, dois revólveres, três pistolas, coletes de balística e drogas. Nenhum dos mortos tinha passagem pela polícia. A FOLHA tentou localizar os parentes das vítimas, mas não conseguiu. A Sesp anunciou por nota oficial que os policiais militares envolvidos na morte dos jovens foram afastados preventivamente das ruas até que seja concluído o Inquérito Policial Militar (IPM).


