O pastor José Idalécio Bueno, 36 anos, foi agredido pelos policiais militares pouco antes de sua morte no dia 9 de fevereiro, em Ibiporã (14 km de Londrina). A conclusão é do delegado do 1º Distrito Policial de Londrina, Edmo Ermenegildo, indicado para apurar o caso. O inquérito foi concluído e enviado ontem à Promotoria Pública de Ibiporã.
O pastor morreu dentro de uma viatura policial, depois de uma discussão com policiais militares. De acordo com o inquérito, Bueno sofreu agressões corporais e, quando era transportado do Posto Rodoviário de Ibiporã à delegacia da cidade, se afogou com o próprio vômito. Ele morreu antes de chegar ao hospital.
Durante o inquérito foram ouvidas 10 testemunhas do crime. Os PMs acusados são o sargento Levi Teófilo e os soldados Antônio Marcos Pereira, Amilton Rodrigues dos Santos e João Reis. Os policiais rodoviários Florisvaldo de Jesus Spolador, Aluísio Martins Cardoso, Dirson Domingos Thomé, Sérgio Noveli e Cláudio da Cruz Oliveira também estão envolvidos no caso.
O advogado da família do pastor pediu exames de sanidade mental nos policiais e testes nas roupas e cadáver de Bueno. Segundo o chefe do Instituto Médico Legal (IML) de Londrina, Ademar Consalter, não há condições de realizar exame de sanidade pelo IML local. ‘‘Só em Curitiba’’, disse. Com relação à exumação, ele acredita que não seja mais possível. De qualquer forma, ele diz que vai aguardar a manifestação do promotor e do juiz de Ibiporã, agora os responsáveis pela continuidade do caso. ‘‘Se eles requererem, faremos’’, disse Consalter.
O pedido de afastamento do delegado Ermenegildo do caso, feito pelo advogado dos policiais militares acusados, Omar Salle, não interfere no resultado do inquérito. O pedido foi protocolado na terça-feira no Fórum de Ibiporã. A justificativa de Salle é que o delegado teria pré-julgado seus clientes.
Na opinião de Salle, o delegado teria comprometido antecipadamente o trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário em caso de absolvição ou tipificação mais amena. O delegado Edmo Ermenegildo afirmou ontem que ‘‘nem tomou conhecimento’’ do pedido. O delegado garante que, nesses casos, mesmo que seja acatado o pedido de afastamento, o trabalho feito até então não é perdido.

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