Delegado conclui inquérito da morte de Jenifer na 3ª
Lúcio Horta
De Londrina
O delegado do 1º Distrito Policial de Londrina, Algacir Ramos, pretende concluir o inquérito até terça-feira. Ele destacou que vai somente relatar os fatos que foram apurados durante a investigação e que não pretende sugerir se houve ou não crime.
Algacir Ramos voltou a ouvir, ontem de manhã, Maria de Fátima dos Santos, mãe da garota Jenifer Stefani dos Santos, 8 anos, que morreu no dia 30 de agosto depois de tomar uma injeção de penicilina benzetina no Pronto Atendimento Infantil (PAI). Maria de Fátima estava acompanhada do filho, Anderson Santos, e saiu do depoimento muito nervosa, sem dar declarações à imprensa.
A principal dúvida do delegado era saber se Jenifer já havia sido medicada com peniciliana outras duas vezes antes do acidente do dia 30, conforme informou a direção do PAI. A primeira vez teria sido em dezembro de 1997, no Hospital Universitário (HU), e a segunda há quatro meses, no próprio PAI, sempre quando a menina tinha crises de amidalite (inflamação nas amídalas).
Ela confirmou que Jenifer foi atendida há quatro meses e também em dezembro de 97. Só não soube dizer que tipo de medicamento foi aplicado na filha, informou o delegado. E, das vezes anteriores, foi o irmão (Anderson Santos) quem levou a menina ao médico.
Ainda segundo o delegado, Anderson declarou que, das outras duas vezes em que o medicamento foi aplicado na irmã, a menina não reclamou de reação estranha ou diferente. Algacir acrescentou que, segundo alguns médicos consultados por ele, a reação alérgica à penicilina costuma ocorrer na segunda aplicação, e não na terceira. Não é impossível, no entanto, uma reação tardia, na terceira, quarta ou outras aplicações posteriores.
Maria de Fátima também confirmou no depoimento de ontem que perguntou às atendentes do PAI uma atendente e uma enfermeira se não seria necessário fazer o teste de reação alérgica. Mesmo havendo contradição nos depoimentos, já que as atendentes negaram ter ouvido a pergunta, Algacir não acredita que isso possa interferir nas investigações. É um detalhe que não afeta em nada. Porque, mesmo se ela pedisse, o teste não é mais feito, informou. E nós já temos o laudo que diz que ela morreu por choque anafilático. É isso que vale.
Por entender, pelos depoimentos de ontem, que Jenifer realmente tomou penicilina anteriormente, Algacir resolveu dispensar o depoimento da médica Maria Conceição Toledo, que atendeu a garota no PAI em abril e seria ouvida na segunda-feira. Ficou confirmado apenas o depoimento da médica Margarida de Fátima Fernandes de Carvalho, do setor de pediatria da Associação Médica de Londrina, que dará informações sobre as reações alérgicas da penicilina. O depoimento está marcado para às 9 horas de segunda-feira.





