Delegado-chefe denuncia investigadores à PIC
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terça-feira, 02 de novembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial em Londrina, Jurandir Gonçalves André, denunciou à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) dois investigadores da Divisão de Furtos e Roubos que teriam extorquido uma comerciante da cidade na noite de anteontem. Ela teve a identidade preservada. Quando a vítima entregou R$ 1 mil para o policial civil Adriano (identificado apenas pelo primeiro nome), em frente à sede do Instituto Médico Legal (IML), na Zona Oeste, a PIC deu voz de prisão aos investigadores. Adriano conseguiu fugir mas o outro policial, Genivaldo Alves de Almeida, foi preso em flagrante.
André informou que no início da noite de segunda-feira foi procurado pelo advogado Luiz Tavanaro Gaya. Ele informou que sua cliente estaria sendo vítima de extorsão por parte de dois policiais civis. André comunicou o fato à PIC uma força-tarefa composta por Ministério Público e polícias Civil e Militar para ser organizado o flagrante. Segundo o delegado-chefe, os policiais estariam exigindo R$ 20 mil da comerciante para que não dessem continuidade em uma investigação de estelionato que teria ocorrido em Belo Horizonte (MG).
Os policiais teriam dito à vitima que ela havia sido filmada no momento em que dava um golpe na capital mineira. ''Ela alega inocência'', apontou André. Como as partes não chegaram a um acordo, os policiais teriam exigido então R$ 1 mil da vítima.
O encontro para pagamento foi marcado em frente à sede do IML e os investigadores suspeitos chegaram em seus veículos particulares por volta das 20h30. Quando o investigador Adriano recebeu o dinheiro, a PIC deu voz de prisão, mas ele conseguiu fugir. Já Almeida foi preso e encaminhado para ser ouvido na PIC, onde teria permanecido em silêncio. O delegado-chefe, que acompanhou a prisão em flagrante junto com integrantes da PIC, lamentou o fato mas garantiu que ''em toda situação dessa ordem, automaticamente são tomadas as providências necessárias''.
Um dos promotores da PIC, Cláudio Esteves, apontou que Adriano já vinha sendo investigado por suspeita de participação em outro caso de extorsão praticado em Maringá, em outubro de 2002. Na ocasião, dois investigadores de Londrina chegaram a ser presos quando, supostamente, tentavam extorquir o dono de um ferro-velho. O delegado-chefe declarou que não tinha informações sobre o processo porque o caso está sub-júdice.
O delegado da PIC, Alan Flore, teria mantido contato telefônico com o policial pedindo que se entregasse mas ele teria se recusado e sua prisão deverá ser pedida nas próximas horas. O promotor apontou que as investigações continuam, mas existem evidências fortes contra os investigadores.
Almeida, que está detido com outros policiais no 2º Distrito Policial, era tido como um excelente profissional e nunca havia sido investigado. Ele inclusive deveria ser promovido por ato de bravura. Em março do ano passado, o policial foi ferido com um tiro no rosto quando cumpria mandados de prisão numa residência na Zona Sul de Londrina.
Como a investigação está sendo conduzida pelo delegado da PIC, André preferiu não emitir opinião sobre as medidas que poderão ser tomadas contra os policiais. Comentou apenas que eles estão sendo considerados faltosos. A Folha tentou falar por telefone com Flore mas não conseguiu localizá-lo.


