Delegado caça 33 policiais traficantes
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de abril de 1998
Guilherme Pupo 
Pelo menos 33 policiais civis estão envolvidos com o tráfico de drogas em Curitiba. A denúncia foi feita ontem pelo delegado Adauto Abreu de Oliveira, coordenador do Grupo Fera (Força Especial de Repressão Antitóxicos). Segundo ele, esses policiais atuam como traficantes ou fazem a proteção de quadrilhas, principalmente na região central da cidade.
O delegado afirma que a polícia já tem o nome dos envolvidos e estuda a melhor maneira para fazer as prisões em flagrante. Adauto Abreu de Oliveira observa que a maior dificuldade para prender os policiais em flagrante é que eles já conhecem a equipe que trabalha na Delegacia Antitóxicos e interrompem as atividades ligadas ao tráfico na presença deles. Eles são tão policiais quanto eu e utilizam todos os meios possíveis para denegrir a instituição - a insígnia, o carro e a verba da polícia, diz o coordenador do Grupo Fera.
Segundo ele, uma das estratégias que já está sendo utilizada para comprovar a participação dos policiais no tráfico é a filmagem ou fotografia no momento do repasse da droga para usuários ou traficantes. De acordo com o delegado, alguns focos do tráfico estão localizados entre as ruas 13 de Maio, Presidente Faria e Riachuelo; Alameda Cabral e Vicente Machado; e no Largo da Ordem.
Em relação ao tipo da droga traficada, Adauto de Oliveira disse que nos últimos meses houve um grande aumento no volume de cocaína e crack em Curitiba. Somente na semana passada, a polícia apreendeu em apenas uma operação 9,24 quilos de crack e dois quilos de cocaína em pó, com a prisão em flagrante do ex-policial civil Gilberto Chagas Ramos (o Marronzinho), de 45 anos.
Essa foi a maior apreensão de crack e cocaína desde o início das atividades do Grupo Fera no Paraná, em dezembro de 1996. Antes da prisão de Ramos, os policiais do Fera haviam apreendido 1,4 quilo das duas drogas juntas.
Ontem, a polícia encontrou mais 8,6 gramas de crack (19 pedras pequenas e uma maior) na casa da desempregada Iolanda da Luz das Chagas, de 45 anos. O Grupo Fera recebeu uma denúncia anônima sobre a acusada de tráfico e fez a prisão na manhã de ontem na casa dela - Jardim Campo Alto, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba).
Segundo informações do Grupo Fera, as principais rotas que trazem cocaína e crack ao Paraná vêm do Mato Grosso do Sul (passando pelas regiões Oeste e Sudoeste do Estado), fronteira de Foz do Iguaçu e Santa Catarina (principalmente Itajaí, Joinville e Camboriú).


