O delegado de Engenheiro Beltrão (32 km ao norte de Campo Mourão), Sebastião Vieira Filho, vai assumir o inquérito que apura a morte do menino Gleike Aparecido Pego, de 2 anos e 5 meses, atacado no início do mês por sete cães numa fazenda em Quinta do Sol. A designação do novo delegado foi feita pelo delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão, Roberval Butaccini, a pedido da promotora Cleonice Mariano.
‘‘O inquérito estava sendo bem conduzido, mas a promotora pediu um delegado de carreira para prosseguir no caso’’, explicou Butaccini. O delegado de Quinta do Sol, José Abílio, é assistente de segurança. ‘‘Vieira foi escolhido porque está mais próximo do local onde ocorreram os fatos’’, ressaltou o delegado-chefe. Quinta do Sol fica a 17 quilômetros de Engenheiro Beltrão.
A morte do menino Gleike teve repercussão nacional. Ele morava na Fazenda Santa Rita e foi atacado por sete cachorros - três Filas, dois Boxer, um mestiço de Fila com Boxer e um Fox Paulistinha - quando saiu de casa para procurar a mãe que trabalhava na roça, na noite do dia 5. Depois do incidente, os cães foram doados para um canil em Maringá. De acordo com Butaccini, se for comprovada negligência, os donos da fazenda podem ser indiciados por homicídio culposo.
Os animais que mataram Gleike já foram repassados a interessados pelo canil Free Dog, de Maringá. Segundo o adestrador Ari Marcos da Silva, dono do canil, os cães ‘‘se mostraram dóceis durante o adestramento, alguns até submissos’’.
Ele acredita que os animais atacaram a criança por causa do instinto de defesa. ‘‘Os cachorros demarcaram uma área e quando a criança entrou no território, possivelmente chorando, eles agiram na defesa’’, diz. ‘‘O que faltou foi orientação aos donos para treinar os animais, não deixar todos juntos e isolar a área a ser guardada’’. (Colaborou Marcos Zanatta).

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