Delegado assume o caso e se espanta com a destruição
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quarta-feira, 19 de março de 1997
Lucília Okamura 
Milton DóriaNas ruínas Itiro Hashitani (à esq.) e Leonyl Ribeiro no que sobrou do Posto Rodoviário: depredação totalO delegado Itiro Hashitani, do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre), de Curitiba, visitou ontem à tarde o posto da Polícia Rodoviária Estadual e a Delegacia de Polícia Civil de Ibiporã, depredados durante quebra-quebra ocorrido no último domingo. O delegado presidirá o inquérito policial para apurar as responsabilidades pelos danos. A polícia já identificou quase 30 pessoas acusadas de participar da depredação.
Itiro Hashitani foi designado para o caso pelo Secretário Estadual de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira. A solicitação foi feita pelo delegado da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Leonyl Ribeiro, sob a alegação de que a apuração dos fatos demanda muito tempo. É difícil para nós investigarmos o caso, justifica. O delegado do Tigre veio acompanhado de dois investigadores.
A depredação começou após a passeata realizada por familiares e amigos do pastor José Idalécio Bueno, morto no dia 7 deste mês, no interior de uma viatura da Polícia Militar. Seis PMs são acusados de tê-lo espancado.
Após visitar os dois locais, Itiro Hashitani revelou que, pelas imagens que tinha visto pelas emissoras de TV, não pensou que a destruição fosse tão grande. Foi um fato lamentável e o prejuízo é total, observa, se referindo especificamente ao posto rodoviário. O delegado afirma ter ordens do secretário para apurar o caso o mais rápido possível e punir os responsáveis de forma severa. Ele acredita que o inquérito estará concluído antes de 30 dias, que é o prazo legal.
Ontem mesmo Itiro Hashitani iria conversar com Leonyl Ribeiro e com o delegado de Ibiporã, Airton Simplício dos Santos, para verificar quais subsídios já foram colhidos. Ele adianta que será preciso analisar os laudos da Polícia Criminalística, ouvir testemunhas e ver as fitas das emissoras de TV.
Itiro Hashitani esclareceu que não será preciso instaurar inquérito policial, já que esta providência foi realizada pelo delegado Airton dos Santos. Dois escrivães de Ibiporã estão ouvindos os acusados, sendo que, até ontem à tarde, eles já haviam tomado o depoimento de 28 pessoas, sendo 21 maiores de idade e sete adolescentes. Mais acusados deverão ser ouvidos.
O escrivão Djalma Feitosa da Silva informou que apenas duas pessoas se apresentaram espontaneamente na delegacia. Os outros foram reconhecidos e estão sendo levados pelos policiais à delegacia. Todos eles foram ouvidos e liberados em seguida, com exceção de Richard Leandro da Silva, 21 anos. Anteontem à noite, ele foi devolver um revólver calibre 38 que teria encontrado no corredor da delegacia no dia do tumulto, e acabou sendo preso. Os policiais descobriram que ele estava condenado a seis anos por furto. Segundo o delegado Airton dos Santos, até agora foram recuperadas sete armas que estavam no posto e na delegacia.


