Hoje faz um mês que o segurança José Lopes de Oliveira - conhecido por Django e acusado de ser pistoleiro profissional - foi morto com um tiro de revólver na cabeça, dentro da casa do administrador da fazenda Borborema, em Tamarana (60 quilômetros ao sul de Londrina), durante a invasão de líderes e pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
O delegado do 4º Distrito Policial de Londrina, Jurandir Gonçalves André, que preside as investigações, não conseguiu neste período ouvir todos os suspeitos pelo crime e por isso não concluiu o inquérito. Sem o relatório final, ele diz que solicitará amanhã - dia em que se esgota o prazo legal de um mês - ao juiz da 1ª Vara Criminal, Jurandyr Reis Junior, a dilatação do prazo por mais 30 dias para a conclusão do inquérito.
Jurandir André afirma que pretende, também amanhã, requerer a prisão preventiva de aproximadamente 20 pessoas suspeitas de terem participado do assassinato de Django. ‘‘O prazo de negociação concedido ao advogado do MST, Gerson da Silva, para que os suspeitos se apresentem espontaneamente, termina nesta quarta-feira. Se eles não aparecerem para responder a interrogatório, vou pedir a prisão preventiva de todos eles’’, explica o delegado, sem precisar o número exato dos acusados.
Dos acusados, apenas o diretor regional do MST, Josmar Choptian, foi ouvido pelo delegado, no dia 9 deste mês. Porém, um estudo do Instituto de Criminalística de Londrina - utilizando imagens da TV Londrina feitas no local do crime minutos antes dele ser cometido - demonstra que Choptian estava na casa do administrador da fazenda, mas não participou diretamente do assassinato do segurança.
Por confronto de imagens, os peritos da Criminalísitca conseguiram identificar cinco pessoas como principais acusadas pela morte de José Lopes de Oliveira. Nenhuma delas prestou depoimento ao delegado Jurandir Gonçalves André.
‘‘Até agora, só ouvimos testemunhas e co-autores do crime. Nenhum dos suspeitos de ser o autor do disparo que matou Django foi apresentado pelo Movimento dos Sem-Terra. Por isso que não conseguimos concluir o inquérito dentro do prazo legal’’, reclama o delegado do 4º Distrito.
A reportagem da Folha não conseguiu localizar o advogado Gerson da Silva, que ontem estava em viagem. Na sede regional do MST, nenhum diretor quis conceder entrevista para falar sobre a possível apresentação dos suspeitos para depoimento.
Django foi morto quando trabalhava para expulsar da fazenda Borborema - propriedade do empresário Chaufic Burihan - cerca de 80 famílias de sem-terra que a haviam ocupado em setembro do 1996. Ele e outros seguranças foram contratados para o serviço pelo arrendatário da fazenda, Pedro Ribeiro. Segundo os líderes do MST, Django era um pistoleiro profissional com experiência em desalojar os sem-terra de fazendas ocupadas.
Ainda segundo a versão dos diretores do MST, na véspera do incidente que causou a morte de Django, ele e outros dois homens estiveram no local da ocupação derrubando barracas, agredindo e ameaçando mulheres, crianças e os sem-terra. As ameaças teriam atemorizado e revoltado os ocupantes.
A fazenda Borborema, com 338 alqueires, foi considerada improdutiva pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e, portanto, passível de desapropriação para fins de assentamento e reforma agrária.

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