Delegado ainda teme fugas no 3º DP
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quarta-feira, 03 de setembro de 1997
Lucília Okamura 
Londrina
Hoje, a partir das 9 horas, os 60 presos do 4º Distrito Policial, localizado na Via Expressa (zona sul), serão transferidos para que seja feita a reforma no local. A maioria deles irá para o 3º DP, no jardim Bandeirantes (zona oeste), cujas obras foram concluídas anteontem. Oito dos 60 detentos serão removidos para o 2º Distrito (zona leste).
O delegado do 3º Distrito, Jurandir Gonçalves André, acredita que a reforma corrigiu alguns problemas de segurança. E cita como exemplo o reforço da laje do presídio. Mas, na sua opinião, o distrito não pode ser considerado seguro o suficiente para evitar fugas de presos. Além da superlotação, ele observa que o risco de fuga existe porque há sempre a possibilidade de se introduzir nas celas objetos (como serras) sem que os policiais percebam.
Ainda segundo o delegado, a reforma foi falha em um ponto: prejudicou a segurança dos pilares de concreto existentes no corredor que dá acesso ao pátio. Ele explica que os vãos entre os pilares estavam concretados para evitar fugas. Mas, com a reforma, os vãos foram reabertos para permitir uma maior ventilação e iluminação e no local foram colocadas chapas de metal perfurado.
Na opinião do delegado, estas chapas não são seguras o suficiente. Ele sugere que sejam colocadas grades para reforçar a segurança do local. Esta proposta será estudada pelo Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decom), responsável pelas reformas nos distritos. Enquanto o impasse não é resolvido, Jurandir André diz que irá tomar medidas internas para reduzir o risco de fugas. Uma delas será proibir que os presos fiquem nos corredores às quartas-feiras, quando são realizadas as visitas. Eles terão de ficar só nas celas ou no pátio, afirma.
O engenheiro-chefe do Decom, Marcelo Paulino, nega que a segurança no local tenha sido reduzida com a reforma. Segundo ele, os vãos entre os pilares eram cobertos apenas por tijolos e não concreto. Colocamos telas para melhorar a ventilação e a iluminação, mas a segurança continua igual, relata.
Marcelo Paulino explica que a reforma, realizada em 90 dias, custou cerca de R$ 60 mil. A exemplo do que foi feito no 5º DP (o primeiro a passar por uma reforma completa), no 3º DP as grades das celas foram reforçadas, a ventilação e o sistema elétrico foram melhorados. Além disso, houve aumento do muro e construção de passarela externa com guarita.
Assim que os presos forem removidos, começam as obras no 4º DP. Neste distrito, as obras estão orçadas em R$ 70 mil. Em seguida, será feita a reforma interna do 2º Distrito - obras na parte externa já estão sendo realizadas.
O 5º DP também deverá sofrer algumas modificações, já que as celas que haviam sido reformadas foram depredadas durante rebelião de presos, ocorrido em 10 de agosto. Segundo Marcelo Paulino, três celas já passaram por uma nova reforma e outras três devem ser arrumadas assim que chegar a autorização de Curitiba. Ele observa que estão sendo feitas apenas as reformas de segurança. Os sanitários, por exemplo, não vão ser reconstruídos, afirma. O 5º DP abriga hoje 32 detentos. O delegado do distrito, Edson Casagrande, afirma que, por enquanto, a situação está sob controle.
Sobre as obras da Prisão Provisória de Londrina, o engenheiro-chefe do Decom relata que a empreiteira responsável irá assinar a ordem de serviços hoje. Ele acredita que a construção terá início na segunda-feira. A Prisão será erguida em um terreno ao lado da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), no jardim Acapulco (zona sul) e poderá minimizar o problema de superlotação dos distritos. Isso porque será utilizada para abrigar presos já condenados, mas que ainda aguardam resultados de recursos judiciais ou esperam por vaga em uma penitenciária.


