Em tom de desabafo, o delegado afastado do 1 Distrito Policial de Londrina, Jorge Barbosa, garantiu ontem que não teve qualquer envolvimento numa suposta extorsão contra um agente de viagens. Ele reafirmou que é inocente da acusação feita pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e antecipou que vai ingressar com duas ações, uma em primeira instância e outra no Tribunal de Justiça, para tentar derrubar a decisão liminar que determinou seu afastamento por improbidade administrativa. Além dele, também foram afastados o escrivão Marcus Vinicius Cherubim e o investigador Leandro Lopes Barbosa.
O delegado afastado relatou em detalhes à Folha como teria se desenrolado os fatos. Segundo a sua versão, três jovens o procuraram em fevereiro dizendo que haviam contratado um agente de viagens com o interesse de viajarem para o Japão e teriam pago R$ 4,5 mil (R$ 1,5 mil cada uma). Mas ao conseguirem a liberação da documentação, o mesmo agente teria exigido R$ 4,5 mil de cada uma delas. Elas decidiram então denunciar o caso ao delegado, que entendeu tratar-se de um caso de extorsão.
Instruídas por Barbosa, as jovens teriam marcado um encontro com o agente para efetuar a prisão e levaram R$ 9 mil em cheque e R$ 4,5 mil em dinheiro. As três foram acompanhadas por policiais, que efetuariam o flagrante. ''Só que no momento, o agente não aceitou a proposta e todos vieram para a delegacia'', disse Barbosa. O delegado afastado afirmou que o rapaz, que não estava preso, reclamou que os policiais não o teriam deixado ligar para seu advogado, o que teria sido permitido na ocasião.
Barbosa apontou que não teria visto mais o agente naquele dia. Na manhã do dia seguinte, recebeu uma declaração assinada pelo agente onde constava que as partes teriam entrado em acordo e o rapaz teria aceitado receber os R$ 4,5 mil. O mesmo agente teria confirmado que ''tudo estaria resolvido''. Somente dez dias mais tarde, foi que tomou conhecimento que o rapaz não havia ficado com o dinheiro. ''Perguntei para o escrivão e o investigador e eles garantiram que não ficaram com o dinheiro'', observou Barbosa. Segundo o delegado afastado, o advogado teria admitido ter ficado com os R$ 4,5 mil à titulo de honorários, mas após ser preso temporariamente à pedido da PIC, teria voltado atrás e dito que teria ficado apenas com R$ 1,5 mil e o restante teria ficado com o escrivão. ''Jogaram os meus trinta e tantos anos de serviço na lama. Não se faz isso com a honra de um homem'', desabafou Barbosa, que deve ser substituído pelo delegado do 2º Distrito Policial, Antônio do Carmo.
O advogado foi procurado pela reportagem mas estaria em audiência e não retornou o pedido de entrevista até o fechamento desta edição. O promotor da PIC, Leonir Batisti, preferiu não comentar as declarações de Barbosa.

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