O delegado Paulo Padilha, afastado da delegacia de Almirante Tamandaré, onde operaria uma quadrilha de extorsão de dinheiro, furto de veículos e tráfico de drogas, disse ontem que as gravações que o mostram negociando drogas com um viciado são ‘‘uma farsa’’. As fitas foram obtidas pela Promotoria de Investigações Criminais, a pedido da Delegacia Anti-Tóxicos, e são as principais provas que incriminam o delegado, juntamente com dois policiais de Almirante Tamandaré e um de Colombo.
Padilha afirmou que não sabe de quem são as vozes que aparecem nas gravações e lembrou que na delegacia trabalhavam, além dele, cinco investigadores. ‘‘Não sei de quem são aquelas vozes e não estou preocupado com isso. Eu não tenho nenhum envolvimento, sou boi de piranha’’, disse ele, que afirma ser vítima de uma briga política entre o ex-delegado da Anti-Tóxicos, Adauto de Oliveira, e o comando da Polícia Civil. ‘‘Quem pediu o grampo quer manchar a imagem da corporação, derrubar o comando’’, disse, referindo-se a Oliveira.
Para ele, a gravação é ilegal porque não houve pedido ao juiz da comarca de Almirante Tamandaré, único que poderia autorizar o grampo, conforme Padilha. Ele se apoia na lei 9296 de Interceptação de Telecomunicações, que define os procedimentos dos grampos. ‘‘A gravação não tem valor legal algum’’, afirmou.
Saindo da defensiva, o delegado criticou o apresentador de TV, Ricardo Chab, que ontem voltou a mostrar as fitas com as gravações. ‘‘Ele (Chab) vai ter que provar que é a minha voz’’, disse Padilha. ‘‘Ele (Chab) sempra tenta martelar na polícia de Almirante Tamandaré. Ele não tem projetos e quer se reeleger às minhas custas’’.
Padilha disse que as acusações serão ‘‘uma poupança a longo prazo’’. ‘‘Tudo a seu tempo vai ser esclarecido. Os boatos vão ser uma poupança a longo prazo. Vou processar quem falou mal de mim’’, ameaçou. Ao contrário do começo das investigações, quando dizia confiar na inocência dos três policiais e dois informantes da polícia, também acusados de participar, Padilha disse que não vê indícios de culpa.
Padilha disse ter ficado indignado com o boato divulgado no programa de TV de que havia sido pedida sua prisão preventiva e de que ele teria fugido. ‘‘Estou assinando meu ponto normalmente. Se sair minha prisão, se tiver uma coisa que prove (meu envolvimento), não vou fugir’’, afirmou o delegado, que está afastado das funções, mas bate ponto no setor de recursos humanos da polícia.

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