Delegado afastado diz estar magoado com comando da polícia
Delegado afastado diz estar
magoado com comando da polícia
Delegado contesta
que afastamento
deva ser tratado
como rotina
James Alberti
O delegado Adauto Abreu de Oliveira, afastado da Delegacia Anti-Tóxicos para assumir a Força Especial de Repressão Anti-Tóxicos (Fera), disse ontem que está magoado com a cúpula da polícia pela forma rápida como foi feita a transferência. Abreu de Oliveira estava à frente da Anti-Tóxicos há cerca de 18 meses e foi um dos oito delegados remanejados no último final de semana, numa ação considerada de rotina pelo delegado-geral, Artur Oscar Correia Braga.
Apesar de elogiar seu substituto, o delegado Jorge Azur Pinto, Abreu de Olivera afirmou que está preocupado que possa haver uma mudança da sistemática do trabalho que ele implantou. Essa sistemática é a grande responsável pelos elogios feitos ao delegado pelos representantes dos 60 Conselhos Comunitérios de Segurança. Os conselhos entregaram documento ao governo do Estado pedindo a revisão das mudanças, em especial com relação a Abreu de Oliveira e ao delegado Ézio Vicente da Silva.
Abreu de Oliveira disse que lamenta que tenha perdido o comando sobre dois setores da delegacia: o administrativo e, principalmente, o Centro Anti-Toxicos de Prevenção e Educação (Capi). Ao contrário do delegado-geral, Abreu de Oliveira não considera a ciranda, como é conhecido o remanejamento no jargão policial, de rotina. É uma decisão administrativa, mas não de rotina, disse.
Considerado um dos melhores delegados da cidade pelos Conselhos Comunitários, Abreu de Oliveira está afastado do combate ao crime temporariamente. O serviço dele agora é procurar uma casa onde será instalado o grupo especial que vai comandar.
A Folha tentou conversar com o delegado geral, Artur Braga. O assessor Cláudio Fernando Cunha Telles disse que Braga havia viajado com a família para uma fazenda para descansar. O assessor voltou a dizer que a decisão de Braga foi de rotina. Ele disse que não existem funcionários para procurar um imóvel para a instalação do grupo Fera. Todos os delegados de polícia fazem isso, disse. O delegado Vicente da Silva foi procurado mas não foi encontrado.





