O delegado Jurandir Gonçalves André, do 3º Distrito Policial de Londrina, informou que desde ontem está deixando a chave da carceragem do distrito no plantão da 10ª Subdivisão Policial. ‘‘Não dá mais para suportar as constantes fugas que, na realidade, são de responsabilidade dos policiais que estão trabalhando na carceragem’’, desabafou.
Na noite de sábado, quatro presos fugiram pela porta da frente do DP, após renderem o policial João Maria Toledo, que trabalhava como carcereiro. Segundo o policial, ele foi rendido quando o preso de confiança André Almeida Campos disse que estava passando mal no corredor das celas.
André teria tirado seu revólver e libertado também os presos Ricardo José Gondin, Silvio Osmar da Silva Oliveira e Valdemir Fernandes Marcondes. Até ontem à tarde, apenas André havia sido recapturado.
‘‘Não existe motivo para o policial que está de plantão entrar nas celas. Existe uma norma que, diante de qualquer problema (doença de preso, incêndio, etc.), ele deve chamar os policiais na sede da 10ª SDP, a Polícia Militar e os bombeiros se for o caso. Por isso eles não precisam da chave da carceragem e estou propondo para que ela fique na central durante os plantões noturnos’’, justificou o delegado.
Jurandir disse que este tipo de fuga é motivada pela interação constante entre o policial e o preso, conhecida como a ‘‘Síndrome de Estocolmo’’. Isto ocorre também nos casos de sequestro em que a vítima, depois de determinado tempo no cativeiro, cria um estreito laço de amizade com os sequestradores.
‘‘Este comportamento ocorre nas carceragens dos distritos policiais de Londrina. Os policiais que ficam à noite são sempre os mesmos. Inconscientemente, eles vão criando intimidade com os presos, depositando neles total confiança, em prejuízo à segurança da população.’’

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