Delegado admite usar celas desativadas
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terça-feira, 02 de abril de 2002
Emerson Dias<br>Reportagem Local 
O delegado-chefe da Polícia Civil em Londrina, Pedro Colaço, disse ontem estar determinado a usar a carceragem de todos os distritos policiais da cidade, inclusive os interditados pela Vara de Execuções Penais, mesmo que tenha que responder processo judicial ou administrativo.
Em entrevista a uma rádio local ontem à tarde, o delegado-chefe disse que não é vaca de presépio e que pretende garantir a segurança da cidade a qualquer custo. Fui indicado para resolver a situação e intrigas não me interessam. Eu preciso colocar os presos em algum local, afirmou Colaço, não descartando a hipótese de utilizar os distritos parcialmente (2º e 4º DPs) e totalmente interditados (3º e 5º DPs). Vou lotar as viaturas de presos, chamar a imprensa e devolvê-los primeiro à penitenciária. Em seguida, levarei à Casa de Custódia. (...) Não vou deixar preso algemado em mesa ou sofá. Se tem distritos, eles têm que receber, garantiu, mesmo sob pena de ser processado. Se eu vou responder processo por isso, não me interessa.
Colaço também criticou as instalações da Polícia Civil em Londrina. A delegacia parece um castelo medieval. O prédio do IML de Pato Branco é melhor que isso aqui, disse o delegado-chefe, referindo-se ao Instituto Médico Legal da cidade onde residia anteriormente.
Ontem de manhã, Pedro Colaço recebeu intimação da Vara de Execuções Penais (VEP). O juiz Roberto do Valle afirmou que o objetivo foi apenas dar conhecimento ao delegado sobre o teor da sentença de interdição do 4º Distrito Policial, ocorrida em 15 de março. Para futuramente ele não alegar desconhecimento, disse.
Na intimação o juiz também informou sobre alguns itens determinados na sentença de interdição que não foram cumpridos e cujo prazo expirou na sexta-feira retrasada. Na época o juiz determinou o retorno para Londrina de 12 presos que estão em Jaguapitã, Porecatu, Cambé e Sertanópolis e a remoção de presos que estão em Londrina mas são de outras comarcas. O juiz calcula que há entre 30 e 35 presos de São Paulo, Mato Grosso, Rolândia, e muitas outras comarcas.
Outra determinação da sentença de interdição diz respeito às reformas dos prédios do 4º DP e do 2º DP, à compra de colchões e o atendimento médico dos presos dos dois distritos. O prazo estipulado para estas ações foi de 30 dias e segundo o juiz faltam apenas 10 dias para expirar.
Para Colaço o prazo de 30 dias começa hoje, já que ele recebeu a intimação ontem. O juiz Roberto do Valle afirmou que se os prazos não forem cumpridos caberá ao Ministério Público tomar as providências por desobediência judicial.
Ainda sobre as interdições mantidas pelo juiz da Vara de Execuções, Roberto Ferreira do Valle, o delegado-chefe disse que vai solicitar uma avaliação de um órgão especializado em obras. Solicitei semana passada 30 vagas para presos junto à Vara. Hoje (ontem) eu determinei aos delegados do 2º e 4º distritos que agilizem junto ao Decom (Departamento Estadual de Construção de Obras e Manutenção) uma verificação técnica.


