Delegado adia depoimento de Josyê Godoy e aguarda o laudo do IML
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sábado, 28 de dezembro de 1996
Paulo Ubiratan 
O delegado do 6º Distrito Policial, Edson Casagrande, ainda não ouviu o depoimento de Josyê Baxhix Godoy, sobrinha do pioneiro Olavo Godoy, que estava marcado para hoje. O pioneiro morreu no último domingo, horas depois que teria sofrido uma queda na sede da fazenda Santa Helena, no distrito do Espírito Santo (zona sul), onde morava. Por enquanto eu nada tenho e perguntar a dona Josyê. Preciso primeiro receber os laudos do Instituto Médico Legal (IML), para depois então formalizar as perguntas.
Ele assegura que continua a investigar - a todo vapor - a morte do pioneiro. O chefe do IML, Ademar Consalter, disse que o laudo deve demorar uma semana para ser concluído porque os exames são realizados em Curitiba.
Josyê Godoy está indiciada em dois inquéritos policiais, acusada de maus-tratos ao pioneiro, constragimento ilegal e omissão de socorro aos empregados da fazenda Santa Helena - propriedade que ela administra atualmente, conforme procuração assinada pelo próprio pioneiro dois anos antes de sua morte. O delegado Casagrande disse que a formalização das denúncias contra Josyê foi feita por empregados da fazenda e por duas pessoas que cuidaram de Olavo Godoy em seus últimos meses de vida.
O Ministério Público solicitou na Justiça a interdição do pioneiro e com isso pretendia anular seus atos, inclusive cassar a procuração passada por ele para Josyê e seu marido, Álvaro Lázaro de Godoy Filho. Com a morte de Olavo Godoy, o ato de interdição perdeu validade jurídica.
Para o delegado Casagrande, a morte do pioneiro tem diversos pontos obscuros que devem ser esclarecidos. A empregada Rosana Aparecida Martins contou, em depoimento à polícia, que estava na varanda da casa quando viu um homem armado rondando o portão de entrada. Na ocasião, este teria disparado um tiro. A empregada afirmou ter retornado para interior da casa, pedindo socorro. Rosana Aparecida contou que foi acudida pela enfermeira Nanci Alves Takaoka, que cuidava de Olavo em um quarto. De acordo com a versão apresentada ao delegado, Nanci saiu dos aposentos nesse instante. Segundo Rosana, o pioneiro se levantou da cama e acabou caindo no assoalho, sangrando.
A queda ocorreu por volta das 11 horas, mas somente por volta das 15 horas foi providenciado atendimento. Olavo Godoy foi levado ao Hospital Evangélico e morreu quando iria passar por uma tomografia. Ontem, uma das enfermeiras que fez os primeiros atendimentos ao pioneiro contou à Folha que Olavo Godoy teria dado entrada no hospital em estado de choque. Os médicos do Evangélico não quiseram assinar o atestado de óbito e o corpo do pioneiro foi levado para o IML.
A polícia questiona dois fatos: o local da queda foi limpo antes da chegada da polícia e os lençóis sujos de sangue desapareceram. O delegado quer fazer novas perguntas às duas funcionárias da fazenda, para que confirmem a primeira versão que deram à polícia.


