Delegado acusa ex-carcereiro
O delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel, Luiz Alberto Cartaxo, disse ontem ter havido uma armação para desestabilizar seu trabalho e o de sua equipe. Ele se referiu ao caso do detento Carlos Lambides, 33 anos, que saiu do Minipresídio no final da semana passada para viajar a Curitiba e foi preso no retorno, ao desembarcar de avião no Aeroporto Municipal. Cartaxo afirmou à Folha que as primeiras investigações, inclusive com depoimento do próprio Lambides (acusado de envolvimento em roubo de uma retroescavadeira), incriminam diretamente o ex-carcereiro Adilson Dudeck, que compunha a equipe substituída dia 20 de abril, quando a nova assumiu.
O delegado-chefe relatou que Adilson Dudeck, transferido domingo para Guarapuava, tinha conhecimento prévio da saída (sábado) e do momento do retorno do detento e não informou aos seus superiores. Mas a informação chegou aos meios de comunicação local que a repassaram à Justiça, que determinou a prisão de Lambides, feita pela Polícia Militar às 23 horas de domingo, ao desembarcar de vôo de carreira. Segundo Cartaxo, Lambides era tido como preso de confiança pela equipe anterior (chefiada pelo delegado Osnildo Carneiro Lemos) e fazia trabalhos dentro e na área externa do Minipresídio. Ele inclusive utilizava (assim como outros de confiança) um telefone celular fornecido por Dudeck.
Lambides, que confirmou à Justiça termos do relato feito pelo delegado Cartaxo, aproveitou-se de privilégios que vinha disputando há algum tempo para viajar. Segundo Cartaxo, ele foi monitorado pelo ex-carcereiro pelo celular. Apenas um repórter policial de uma emissora de rádio recebeu a informação sigilosa do momento da chegada do detento ao aeroporto, e a levou ao juiz Rosaldo Pacagnan, que determinou então que policiais esperassem Lambides para levá-lo direto para a prisão. Um jornal local publicou (anteontem) uma fotografia do detento. Segundo Cartaxo, esta fotografia estava arquivada (pelo processo de escaneamento) apenas em um computador pessoal do ex-carcereiro, que o utilizava na 15ª SDP. Ao deixar a função, domingo, Dudeck levou o equipamento.
O próprio detento disse em juízo, na tarde de anteontem, ser amigo do Adilson e que foi envolvido na armação contra o delegado. Cartaxo pediu a remoção de Adilson Dudeck para Curitiba para responder civil e administrativamente. O novo carcereiro, Edson Fernandes, também será responsabilizado porque não constatou a saída do preso, que aproveitou-se de estar fazendo serviço na área externa para viajar.
O comando da Polícia Civil está gerando agressiva disputa política, com ataques diários a Luiz Alberto Cartaxo pelo deputado estadual Tiago de Amorim Novaes (PPB), que é apresentador de programa policial no rádio. Tiago tinha ligações com membros da equipe anterior da 15ª SDP e não foi informado sobre a substituição, nem consultado sobre o nome escolhido pela Secretaria de Segurança Pública para o lugar de Osnildo Carneiro Lemos - que estava há mais de quatro anos no cargo. O deputado-radialista, que disse ontem que quer fazer valer o mandato político, não aceita a permanência de Luiz Alberto Cartaxo, acusando-o de ter passado que não o recomenda.Edson MazzettoMudança polêmicaPosse do delegado Luiz Cartaxo em 20 de abril na 15ª SDP de Cascavel, no lugar de Osnildo Carneiro: razão do conflito?Paulo Pegoraro





