Delegado acredita em falha de piloto
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
A causa mais provável para o acidente entre dois barcos do passeio turístico Macuco Safári nas Cataratas do Iguaçu, anteontem, em que morreram seis turistas estrangeiros e o piloto Cândido Siqueira, de 23 anos, é falha humana. A afirmação foi feita ontem à tarde pelo delegado Paulo Renato Caldas de Araújo, do 3º Distrito Policial de Foz do Iguaçu, responsável pelo inquérito policial sobre o caso.
O delegado disse que, com base nos dez depoimentos que tomou entre anteontem e ontem, a hipótese mais provável é de que tenha havido falha de um dos pilotos ou dos dois. Um dos pilotos, Cândido Siqueira, de 23 anos, morreu no acidente. O outro, identificado até agora como Neri Carlos Visik, de 39 anos, que estava foragido desde o acidente, deverá depor na quinta-feira, segundo informou o delegado.
Araújo afirmou que, de acordo com os depoimentos, o barco pilotado por Siqueira no qual eram transportados nove turistas estrangeiros , teria tentado uma manobra-surpresa, se aproximando do outro barco, para dar maior emoção aos turistas. De acordo com essa hipótese, Siqueira teria perdido o controle da embarcação e batido de frente no outro barco maior, que transportava 22 turistas, além de Visik.
O barco maior acabou passando por cima do outro, afundando-o. Todas as vítimas estavam no barco menor. Além dos sete mortos, três turistas, que também estavam nessa embarcação, ficaram feridos, mas já receberam alta. Os 23 ocupantes do outro barco não sofreram ferimentos.
O acidente aconteceu às 11 horas, próximo à entrada do cânion onde é formado o conjunto de 275 quedas dágua. As duas embarcações estavam utilizando um caminho estreito no leito do rio, que, com a seca de quase três meses, diminuiu sua vazão, provocando o aparecimento de grandes rochas e pedras menores que dificultavam a navegabilidade no momento do acidente.
As dez testemunhas já ouvidas pelo delegado são o casal francês Jean Pierre e Marrie Helene Sawagi e a chilena Maria Soledad Andressa Silva (os três sobreviventes do barco menor); e cinco japoneses e dois norte-americanos (que estavam no barco maior). Segundo o delegado, todos os depoimentos são muito parecidos e permitem a mesma interpretação para o acidente.
O delegado disse também que os turistas confirmaram que não havia remos em nenhum dos barcos. Um par de remos é equipamento de segurança obrigatório em embarcações fluviais. Os outros equipamentos exigidos pela Marinha são coletes salva-vidas individuais, uma bóia salva-vidas por embarcação e uma âncora com 15 metros de cabo.
Alexander Schorsch, sócio-proprietário da empresa Ilha do Sol Turismo e Navegação, que explora o passeio turístico nas Cataratas há 13 anos, disse ontem que os dois barcos tinham a maioria desses equipamentos. Ele afirmou não ter certeza da existência dos remos nas embarcações. Disse ainda que os remos seriam desnecessários porque cada barco pesa 2,5 toneladas. Por isso, os equipamentos seriam inócuos em caso de acidente.
A Folha tentou ouvir ontem a família do piloto Cândido Siqueira. O pai dele, o ex-piloto da mesma empresa Antônio Siqueira, de 44 anos, se recusou a dar entrevista. Anteontem, Siqueira havia afirmado que seu filho sempre reclamava da dificuldade de navegar nesse trecho do rio porque a correnteza era muito forte. Cândido era piloto havia oito meses.
O capitão Luiz Carlos de Oliveira, responsável pela Capitania Fluvial do Rio Paraná confirmou ontem que os dois pilotos possuíam habilitação. Paralelamente à Polícia Civil, a Capitania dos Portos abriu inquérito administrativo para apurar as causas do acidente. Nesta semana, será feita perícia nos dois barcos acidentados.
Oliveira tem 90 dias para concluir o inquérito, que corre sob sigilo. Depois, o documento deverá ser enviado ao Tribunal Marítimo, com sede no Rio de Janeiro. Esse órgão poderá enviar denúncia ao Ministério Público Federal.Suposição é baseada em depoimentos de dez testemunhas; seis turistas estrangeiros e um piloto morreram no acidente
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